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Preditores e consequências do declínio da insulinoterapia em diabéticos tipo 2

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Pacientes com diabetes1 tipo 2 que apresentam altos níveis de açúcar2 no sangue3 correm maior risco de complicações sérias, como doença renal4 crônica, doença cardíaca e cegueira.

Embora as mudanças no estilo de vida e os medicamentos possam ajudar alguns pacientes a controlar melhor seus níveis de açúcar2 no sangue3, o diabetes tipo 25 tende a progredir e os pacientes muitas vezes precisam de tratamento mais intenso para continuar a manter o controle do açúcar2 no sangue3. A insulina6 oferece a maneira mais robusta de controlar a glicose7 no sangue3, mas a terapia com insulina6 geralmente é adiada, às vezes por vários anos.

Saiba mais sobre "Diabetes Mellitus8", "Insuficiência renal9 crônica", "Doenças cardiovasculares10" e "Retinopatia diabética11".

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Brigham and Women´s Hospital descobriu que mais de 40% dos pacientes recusam a recomendação de um médico para terapia com insulina6. O estudo também constata que os pacientes que recusam a terapia com insulina6 tiveram pior controle do açúcar2 no sangue3 e levaram significativamente mais tempo para reduzir seus níveis de açúcar2 do que os pacientes que iniciaram a terapia com insulina6. As descobertas da equipe foram publicadas no jornal Diabetic Medicine.

O objetivo do estudo foi determinar a relação entre o declínio da terapia com insulina6 por indivíduos com diabetes tipo 25 e o subsequente controle da glicemia12.

Estudou-se retrospectivamente adultos com diabetes tipo 25 e controle glicêmico abaixo do ideal (HbA1c13 ≥ 53 mmol/mol [7,0%]), seguidos em dois hospitais acadêmicos entre 2000 e 2014, que receberam terapia insulínica recomendada.

O declínio das recomendações da terapia com insulina6 foi identificado usando o processamento em linguagem natural das anotações dos médicos. O tempo para HbA1c13 < 53 mmol/mol (7,0%) serviu como resultado primário.

Dos 5.307 participantes do estudo, 2.267 (42,7%) recusaram terapia com insulina6. O tempo médio para o controle da HbA1c13 em indivíduos que declinaram vs os que iniciaram a insulinoterapia foi de 50 vs 38 meses, respectivamente (P <0,001).

Na análise multivariável, o declínio da terapia com insulina6 foi associado à taxa de risco para o controle de HbA1c13 de 0,89 (IC 95% 0,82 a 0,97; P = 0,008). Os participantes tiveram maior probabilidade de aceitar recomendações de terapia com insulina6 se tivessem complicações com diabetes1 (OR 1,32; IC 95% 1,13 a 1,53; P <0,001) ou HbA1c13 mais elevada (OR 1,10; IC 95% 1,07 a 1,13; P <0,001) e menor probabilidade se fossem mais velhos (OR 0,81; IC 95% 0,76 a 0,86; P <0,001) ou estivessem tomando mais medicamentos não insulínicos para diabetes1 (OR 0,78; IC 95% 0,74 a 0,83; P <0,001).

O estudo concluiu que indivíduos com diabetes1 tipo 2 não controlado que recusaram terapia com insulina6 posteriormente tiveram pior controle glicêmico. Esses achados destacam a necessidade de melhorar a compreensão da relação desse fenômeno clínico comum, porém pouco explorado, com o controle da glicose7 no sangue3 e, finalmente, com as complicações do diabetes14.

Leia sobre "Comportamento da glicose7 no sangue3", "Papel da insulina6 no corpo" e "Prevenção do diabetes1 e suas complicações".

 

Fonte: Diabetic Medicine, publicação em 20 de fevereiro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Preditores e consequências do declínio da insulinoterapia em diabéticos tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1362903/preditores-e-consequencias-do-declinio-da-insulinoterapia-em-diabeticos-tipo-2.htm>. Acesso em: 7 abr. 2020.

Complementos

1 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
2 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
3 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
4 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
5 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
6 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
7 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
8 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
9 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
10 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
11 Retinopatia diabética: Dano causado aos pequenos vasos da retina dos diabéticos. Pode levar à perda da visão. Retinopatia não proliferativa ou retinopatia background Caracterizada por alterações intra-retinianas associadas ao aumento da permeabilidade capilar e à oclusão vascular que pode ou não ocorrer. São encontrados microaneurismas, edema macular e exsudatos duros (extravasamento de lipoproteínas). Também chamada de retinopatia simples.
12 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
13 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
14 Complicações do diabetes: São os efeitos prejudiciais do diabetes no organismo, tais como: danos aos olhos, coração, vasos sangüíneos, sistema nervoso, dentes e gengivas, pés, pele e rins. Os estudos mostram que aqueles que mantêm os níveis de glicose do sangue, a pressão arterial e o colesterol próximos aos níveis normais podem ajudar a impedir ou postergar estes problemas.
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