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The Lancet: transferência de nervos colaboram com técnicas tradicionais para restaurar a função do membro superior na tetraplegia

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A perda da função do membro superior após lesão1 da medula espinhal2 cervical afeta muito a independência do indivíduo, incluindo engajamento social, vocacional e comunitário. A cirurgia de transferência de nervo oferece uma nova opção importante para a restauração da função do membro superior na tetraplegia.

O objetivo deste estudo de casos, publicado no The Lancet, foi avaliar os resultados da cirurgia de transferência de nervo utilizada para a reanimação da função do membro superior na tetraplegia.

Nesta série de casos prospectivos, pesquisadores australianos consecutivamente recrutaram pessoas de qualquer idade com lesão1 medular cervical precoce (<18 meses pós-lesão1) do nível motor C5 e abaixo, que foram encaminhadas a um único centro para reanimação da extremidade superior e foram consideradas adequadas para transferência de nervos.

Saiba mais sobre "Tetraplegia" e "Lesões3 da medula espinhal2".

Todos os participantes foram submetidos a transferências nervosas simples ou múltiplas em um ou ambos os membros superiores, às vezes combinadas com transferências de tendão4, para restauração da extensão do cotovelo, preensão, pinça e abertura da mão5. Os participantes foram avaliados aos 12 meses e 24 meses após a cirurgia. Os desfechos primários foram o teste de braço com pesquisa de ação (ARAT), o teste de liberação de preensão (GRT) e a medida de independência da medula espinhal2 (SCIM).

Entre 14 de abril de 2014 e 22 de novembro de 2018, foram recrutados 16 participantes (27 membros) com lesão1 traumática da medula espinhal2, entre os quais 59 transferências de nervos foram realizadas. Em dez participantes (12 membros), as transferências nervosas foram combinadas com transferências tendíneas. Dados do acompanhamento aos 24 meses pós-cirurgia não estavam disponíveis para três pacientes (cinco membros).

Aos 24 meses, melhorias significativas desde o início do estudo na pontuação total mediana da ARAT (34,0 [IQR 24,0-38,3] aos 24 meses vs 16,5 [12,0-22,0] no início, p<0,0001) e no escore total da GRT (125,2 [65,1-154,4] vs 35,0 [21,0-52,3], p<0,0001) foram observadas. O escore SCIM médio total e o score SCIM da mobilidade na sala e no banheiro melhoraram em mais do que a alteração mínima detectável e a diferença mínima clinicamente importante, e a média da pontuação SCIM de autocuidado melhorou em mais do que a alteração mínima detectável entre o período basal e os 24 meses.

A média das notas de força do Medical Research Council foram 3 (IQR 2–3) para o tríceps e 4 (IQR 4–4) para músculos6 extensores digitais após 24 meses. A força de preensão média aos 24 meses foi de 3,2 kg (DP 1,5) nos participantes que foram submetidos a transferências de nervo distal7 (n=5), 2,8 kg (3,2) naqueles que tiveram transferência de nervo proximal8 (n=9) e 3,9 kg (2,4) naqueles que tiveram transferências de tendão4 (n=8). Houve seis eventos adversos relacionados à cirurgia, nenhum dos quais teve quaisquer consequências funcionais em curso.

A cirurgia precoce de transferência de nervo é uma adição segura e eficaz às técnicas cirúrgicas para a reanimação de membros superiores na tetraplegia. As transferências de nervos podem levar a melhorias funcionais significativas e podem ser combinadas com sucesso às transferências tendíneas para maximizar os benefícios funcionais.

Veja também sobre "Paraplegia9" e "Deficiência física".

 

Fonte: The Lancet, em 4 de julho de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. The Lancet: transferência de nervos colaboram com técnicas tradicionais para restaurar a função do membro superior na tetraplegia. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1340558/the-lancet-transferencia-de-nervos-colaboram-com-tecnicas-tradicionais-para-restaurar-a-funcao-do-membro-superior-na-tetraplegia.htm>. Acesso em: 14 out. 2019.

Complementos

1 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
2 Medula Espinhal:
3 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Tendão: Tecido fibroso pelo qual um músculo se prende a um osso.
5 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
6 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
7 Distal: 1. Que se localiza longe do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Espacialmente distante; remoto. 3. Em anatomia geral, é o mais afastado do tronco (diz-se de membro) ou do ponto de origem (diz-se de vasos ou nervos). Ou também o que é voltado para a direção oposta à cabeça. 4. Em odontologia, é o mais distante do ponto médio do arco dental.
8 Proximal: 1. Que se localiza próximo do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Em anatomia geral, significa o mais próximo do tronco (no caso dos membros) ou do ponto de origem (no caso de vasos e nervos). Ou também o que fica voltado para a cabeça (diz-se de qualquer formação). 3. Em botânica, o que fica próximo ao ponto de origem ou à base. 4. Em odontologia, é o mais próximo do ponto médio do arco dental.
9 Paraplegia: Perda transitória ou definitiva da capacidade de realizar movimentos devido à ausência de força muscular de ambos os membros inferiores. A causa mais freqüente é a lesão medular por traumatismos.
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