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Morbidade e mortalidade após intervenção no estilo de vida para pessoas com tolerância diminuída à glicose

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Intervenções no estilo de vida podem retardar o início do diabetes1 tipo 2 em pessoas com tolerância à glicose2 diminuída, mas se isso leva a menos complicações ou ao aumento da longevidade é incerto. O objetivo deste estudo, publicado pelo The Lancet Diabetes1 & Endocrinology, foi avaliar os efeitos a longo prazo de intervenções de estilo de vida em pessoas com tolerância à glicose2 diminuída sobre a incidência3 de diabetes1, suas complicações e a mortalidade4.

O estudo original, Da Qing Diabetes1 Prevention Outcome Study, foi um ensaio clínico randomizado5, iniciado em 1986, no qual 33 clínicas em Da Qing, China, foram aleatoriamente designadas para ser uma clínica de controle ou fornecer uma de três intervenções (dieta, exercício ou dieta mais exercício) por 6 semanas para 577 adultos com tolerância à glicose2 diminuída que geralmente recebem seus cuidados médicos dessas clínicas.

Saiba mais sobre "Diabetes1", "Comportamento da glicose2 no sangue6", "Alimentação saudável" e "Atividade física".

Posteriormente, os participantes foram acompanhados por até 30 anos para avaliar os efeitos da intervenção sobre a incidência3 de diabetes1, eventos de doença cardiovascular, complicações microvasculares compostas, morte por doença cardiovascular, mortalidade4 por todas as causas e expectativa de vida7.

Dos 577 participantes, 438 foram designados para um grupo de intervenção e 138 para o grupo controle (um recusou o exame de base). Após 30 anos de seguimento, 540 (94%) dos 576 participantes foram avaliados para os resultados (135 no grupo controle, 405 no grupo de intervenção).

Durante o acompanhamento de 30 anos, em comparação com o controle, o grupo de intervenção combinada teve um atraso mediano no início da diabetes1 de 3,96 anos (IC 95% 1,25 a 6,67; p = 0,0042), menos eventos de doença cardiovascular (razão de risco 0,74, IC 95% 0,59 – 0,92; p = 0,0060), uma menor incidência3 de complicações microvasculares (0,65, 0,45 – 0,95; p = 0,025), menos mortes por doença cardiovascular (0,67, 0,48 – 0,94; p = 0,022), menos mortes por todas as causas (0,74, 0,61 – 0,89; p = 0,0015 ), e um aumento médio na expectativa de vida7 de 1,44 anos (IC 95% 0,20 – 2,68; p = 0,023).

A intervenção no estilo de vida em pessoas com tolerância diminuída à glicose2 atrasou o início do diabetes1 tipo 2 e reduziu a incidência3 de eventos cardiovasculares, complicações microvasculares, mortalidade4 cardiovascular e mortalidade4 por todas as causas, e aumentou a expectativa de vida7. Essas descobertas fornecem forte justificativa para continuar a implementar e expandir o uso de tais intervenções para conter a epidemia global de diabetes tipo 28 e suas consequências.

Leia também sobre "Doenças cardiovasculares9", "Prevenção do diabetes1" e "Teste de tolerância à glicose2".

 

Fonte: The Lancet Diabetes1 & Endocrinology, Vol. 7, Nº 6, em 01 de junho de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Morbidade e mortalidade após intervenção no estilo de vida para pessoas com tolerância diminuída à glicose. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1339428/morbidade-e-mortalidade-apos-intervencao-no-estilo-de-vida-para-pessoas-com-tolerancia-diminuida-a-glicose.htm>. Acesso em: 18 out. 2019.

Complementos

1 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
2 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
3 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
7 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
8 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
9 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
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