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Uso de betabloqueadores no primeiro trimestre da gravidez pode não estar associado a grande aumento no risco de malformações congênitas

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Os β-bloqueadores são uma classe de medicamentos anti-hipertensivos comumente usados na gravidez1. Com o objetivo de estimar os riscos para as principais malformações2 congênitas3 associadas à exposição aos β-bloqueadores no primeiro trimestre da gestação, foi realizado um estudo de coorte4 publicado pelo Annals of Internal Medicine.

O estudo de coorte4 usou registros de saúde5 dos cinco países nórdicos e do banco de dados Medicaid, dos EUA. Os participantes foram gestantes com diagnóstico6 de hipertensão7 e seus filhos. A exposição no primeiro trimestre aos β-bloqueadores foi avaliada. Os desfechos foram qualquer malformação8 congênita9 grave, malformações2 cardíacas, fissura10 labial ou palatina e malformações2 do sistema nervoso central11 (SNC12). A estratificação do escore de propensão foi usada para controlar potenciais fatores de confusão.

Das 3577 mulheres com gravidez1 hipertensiva na coorte13 nórdica e 14900 na coorte13 dos EUA, 682 (19,1%) e 1668 (11,2%), respectivamente, foram expostas a β-bloqueadores no primeiro trimestre da gestação. O risco relativo ajustado (RR) e a diferença de risco por 1000 pessoas expostas (RD1000) associadas aos β-bloqueadores foram 1,07 (IC 95% 0,89 a 1,30) e 3,0 (IC 95% −6,6 a 12,6), respectivamente, para qualquer malformação8; 1,12 (IC 0,83 a 1,51) e 2,1 (IC -4,3 a 8,4) para qualquer malformação8 cardíaca; e 1,97 (IC 0,74 a 5,25) e 1,0 (IC −0,9 a 3,0) para fissura10 labial ou palatina. Para malformações2 do SNC12, o RR ajustado foi de 1,37 (IC 0,58 a 3,25) e o RD1000 foi de 1,0 (IC -2,0 a 4,0) (com base apenas nos dados da coorte13 dos EUA).

A limitação do estudo é que a análise foi restrita a nascidos vivos, a exposição foi baseada na medicação dispensada e a fissura10 labiopalatina e as malformações2 do SNC12 tiveram poucos resultados.

Os resultados sugerem que o uso materno de β-bloqueadores no primeiro trimestre da gravidez1 não está associado a um grande aumento no risco de malformações2 gerais ou malformações2 cardíacas, independente dos confundidores medidos.

Saiba mais sobre "Malformações2 fetais", "Cardiopatias congênitas3", "Lábio leporino14" e "Espinha bífida15".

Fonte: Annals of Internal Medicine, em 16 de outubro de 2018

NEWS.MED.BR, 2018. Uso de betabloqueadores no primeiro trimestre da gravidez pode não estar associado a grande aumento no risco de malformações congênitas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1325953/uso-de-betabloqueadores-no-primeiro-trimestre-da-gravidez-pode-nao-estar-associado-a-grande-aumento-no-risco-de-malformacoes-congenitas.htm>. Acesso em: 20 nov. 2018.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
2 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
3 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
4 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
7 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
8 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
9 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
10 Fissura: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
11 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
12 SNC: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
13 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
14 Lábio leporino: Alteração congênita na qual existe uma solução de continuidade no palato (céu da boca), que comunica a cavidade oral à nasal. Pode ser total (quando o palato duro, que é ósseo, está envolvido) ou parcial (quando apenas as partes moles, como lábios, gengiva, mucosas estão envolvidas).
15 Espinha bífida: Também conhecida como mielomeningocele, a espinha bífida trata-se de um problema congênito. Ela é caracterizada pela má formação no tubo neural do feto, a qual ocorre nas três primeiras semanas de gravidez, quando a mulher ainda não sabe que está grávida. Esta malformação pode comprometer as funções de locomoção, controle urinário e intestinal, dentre outras.
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