Gostou do artigo? Compartilhe!

Chocolate diário pode proteger contra a resistência à insulina e melhorar os níveis de enzimas hepáticas

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Consumo diário de chocolate é inversamente associado com resistência à insulina1 e enzimas hepáticas2, de acordo com uma observação de fatores de risco cardiovasculares realizada em um estudo chamado Luxembourg, publicado pelo periódico British Journal of Nutrition.

Este estudo examinou a associação do consumo de chocolate com resistência à insulina1 e enzimas hepáticas2 no soro3 em uma amostra nacional de adultos de Luxemburgo. Uma amostra aleatória de 1.153 indivíduos, com idades entre 18 e 69 anos, foi recrutada para participar na observação transversal dos fatores de risco cardiovasculares no estudo Luxembourg.

O consumo de chocolate (g/dia) foi obtido a partir de um questionário sobre frequência alimentar semi-quantitativa. Os níveis de glicose4 e de insulina5 no sangue6 foram utilizados para o modelo de avaliação da homeostase da resistência à insulina1 (HOMA-IR7). Os biomarcadores hepáticos no soro3, tais como γ-glutamil-transpeptidase (γ-GT), aspartato transaminase e níveis séricos de alanina-transaminase (ALT) (mg/l) foram avaliados utilizando ensaios de laboratório normalizados (padrão). Os consumidores de chocolate (81,8%) eram propensos a serem mais jovens, fisicamente ativos, pessoas com níveis de educação mais elevados e menos comorbidades8 crônicas.

Leia também "Exames do fígado9 ou Provas de função hepática10" e "O que afeta o comportamento da sua glicemia11?"

Após a exclusão de indivíduos que faziam uso de medicamentos antidiabéticos, o maior consumo de chocolate foi associado com menor HOMA-IR7 (β=-0,16, P=0,004), níveis de insulina5 no soro3 (β=-0,16, P=0,003) e γ-GT (β=-0,12, P=0,009) e ALT (β=-0,09, P=0,004), após ajustes para idade, sexo, nível educacional, estilo de vida e fatores dietéticos de confusão, incluindo a ingestão de frutas e vegetais, álcool, café e chá ricos em polifenol.

Este estudo relata uma relação inversa e independente entre o consumo diário de chocolate e os níveis de insulina5, HOMA-IR7 e enzimas do fígado9 em adultos, sugerindo que o consumo de chocolate pode melhorar os níveis de enzimas hepáticas2 e proteger contra a resistência à insulina1, um fator de risco12 bem estabelecido para distúrbios cardiometabólicos.

Mais pesquisas prospectivas observacionais e estudos randomizados controlados bem desenhados são necessários para confirmar esta relação transversal e para compreender o papel e os mecanismos que os diferentes tipos de chocolate podem desempenhar na resistência à insulina1 e nas alterações cardiometabólicas.

 

Fonte: British Journal of Nutrition, Volume 115, número 9, de maio de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Chocolate diário pode proteger contra a resistência à insulina e melhorar os níveis de enzimas hepáticas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1274578/chocolate-diario-pode-proteger-contra-a-resistencia-a-insulina-e-melhorar-os-niveis-de-enzimas-hepaticas.htm>. Acesso em: 24 out. 2019.

Complementos

1 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
2 Enzimas hepáticas: São duas categorias principais de enzimas hepáticas. A primeira inclui as enzimas transaminasas alaninoaminotransferase (ALT ou TGP) e a aspartato aminotransferase (AST ou TOG). Estas são enzimas indicadoras do dano às células hepáticas. A segunda categoria inclui certas enzimas hepáticas como a fosfatase alcalina (FA) e a gamaglutamiltranspeptidase (GGT) as quais indicam obstrução do sistema biliar, quer seja no fígado ou nos canais maiores da bile que se encontram fora deste órgão.
3 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
4 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
5 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
6 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
7 HOMA-IR: O cálculo do índice HOMA-IR, do inglês, Homeostatic Model Assessment , é feito com base nas dosagens de insulina e glicemia de jejum e ajuda a determinar o grau de resistência à insulina.
8 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
9 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
10 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
11 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
12 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
Gostou do artigo? Compartilhe!