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The Lancet Neurology: música para reabilitação neurológica

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Nos últimos dez anos, um número crescente de estudos controlados avaliou os potenciais efeitos reabilitadores, em várias doenças neurológicas, das intervenções baseadas em música, como escutar música, cantar ou tocar um instrumento musical.

Embora o número de estudos e a extensão das evidências disponíveis sejam maiores para os acidentes vasculares1 cerebrais (AVCs) e a demência2, também há evidências dos efeitos dessas intervenções no suporte da cognição3, função motora e bem-estar emocional em pessoas com doença de Parkinson4, epilepsia5 e esclerose múltipla6.

Saiba mais sobre "Acidente vascular cerebral7", "Demência2", "Doenças degenerativas8", "Mal de Parkinson",  "Epilepsia5" e "Esclerose múltipla6".

Mesmo que a maioria dos estudos tenha relatado efeitos positivos, a possibilidade de viés de publicação deve ser considerada. Além disso, apenas alguns dos principais resultados foram estudados repetidamente. As limitações na maioria dos estudos decorrem de pequenos tamanhos de amostras e heterogeneidade metodológica no desenho do estudo e nas intervenções e medidas de resultado utilizadas.

Na maioria dos estudos, a duração do efeito de reabilitação induzida pela música não foi sistematicamente avaliada e ainda é amplamente desconhecida. Até o momento, observou-se que as intervenções baseadas em música têm efeitos a longo prazo no AVC (3 meses), demências (máximo de 2 meses) e epilepsia5 (12 meses).

As intervenções baseadas em música podem afetar funções divergentes, como desempenho motor, fala ou cognição3 nesses grupos de pacientes. No entanto, os efeitos psicológicos e os mecanismos neurobiológicos subjacentes aos seus efeitos são susceptíveis de compartilhar sistemas neurais comuns para o sistema de recompensa, excitação, regulação do impacto, aprendizado e plasticidade impulsionada pela atividade.

A análise da quantidade de atividades terapêuticas básicas recebidas por pacientes em um centro de reabilitação no Canadá, com fisioterapia9 e terapia ocupacional10, sugere que pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral7 recebem apenas aproximadamente 60% da reabilitação recomendada. Não está claro se essa insuficiência11 resulta da escassez de recursos de reabilitação ou de outros fatores, mas é provável que seja generalizável para a maioria das enfermarias neurológicas.

Assim, há uma necessidade de intervenções musicais que sejam amplamente disponíveis e que possam ser facilmente implementadas com investimento mínimo. Essas intervenções incluem atividades musicais individuais auto-implementáveis ou implementadas pelo cuidador do paciente, como ouvir música, e intervenções musicais em grupos, como cantar ou dançar em grupo.

O tratamento de longo prazo e a reabilitação para pacientes12 com doenças neurológicas são responsáveis por uma proporção substancial de custos associados a essas condições, assim, o estudo de novas estratégias de reabilitação para substituir ou complementar métodos tradicionais é justificado. Embora outros estudos controlados sejam necessários para estabelecer a eficácia da música na recuperação neurológica, as intervenções baseadas em música estão surgindo como estratégias promissoras de reabilitação.

No futuro, os aplicativos de música em dispositivos móveis, bem como a tecnologia de reabilitação baseada em música usando realidade virtual ou sistemas de estimulação adaptados à reabilitação motora, irão desempenhar um papel cada vez maior na recuperação de pacientes com distúrbios neurológicos, em ambientes hospitalares, comunitários e residenciais.

Leia também sobre "Como melhorar a memória", "Exercite seu cérebro13", "Envelhecimento saudável" e "Aposentadoria".

 

Fonte: The Lancet Neurology, em 26 de junho de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. The Lancet Neurology: música para reabilitação neurológica. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1299753/the-lancet-neurology-musica-para-reabilitacao-neurologica.htm>. Acesso em: 8 dez. 2019.

Complementos

1 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
2 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
3 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
4 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
5 Epilepsia: Alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Quando restritos, a crise será chamada crise epiléptica parcial; quando envolverem os dois hemisférios cerebrais, será uma crise epiléptica generalizada. O paciente pode ter distorções de percepção, movimentos descontrolados de uma parte do corpo, medo repentino, desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente e até perder a consciência - neste caso é chamada de crise complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Existem outros tipos de crises epilépticas.
6 Esclerose múltipla: Doença degenerativa que afeta o sistema nervoso, produzida pela alteração na camada de mielina. Caracteriza-se por alterações sensitivas e de motilidade que evoluem através do tempo produzindo dano neurológico progressivo.
7 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
8 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
9 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
10 Terapia ocupacional: A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação das pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema físico (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátrico (esquizofrenia, depressão), mental (Síndrome de Down, autismo), geriátrico (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) ou social (ex-presidiários, moradores de rua), objetivando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, ela faz a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).
11 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
12 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
13 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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