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Os perigos do tabagismo no século 21 e os benefícios de parar de fumar: um estudo prospectivo com um milhão de mulheres no Reino Unido foi divulgado pelo The Lancet

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Entre as mulheres do Reino Unido, dois terços de todas as mortes de fumantes na faixa dos 50-70 anos são causados pelo tabagismo. As fumantes perdem pelo menos 10 anos de vida útil. Embora os perigos de fumar até os 40 anos e depois parar sejam substanciais, os perigos de continuar fumando são dez vezes maiores. Parar antes dos 40 anos (e, preferencialmente, bem antes dos 40 anos) evita mais de 90% do excesso de mortalidade1 causada pelo tabagismo; parar antes dos 30 anos evita mais de 97% do mesmo.

Em países como o Reino Unido e os EUA, fumar - principalmente cigarros - continua a ser a principal causa de morte evitável, apesar da queda na prevalência2 do tabagismo entre os fumantes que estão agora em seus 60 anos. Os perigos de excesso de mortalidade1 dependem fortemente não só de hábitos recentes de fumar, mas também de hábitos pregressos.

A prevalência2 do tabagismo em mulheres jovens não teve pico antes de 1960. Oito estudos anteriores com mulheres podem ter subestimado consideravelmente os riscos eventuais do cigarro. Medidas diretas dos riscos do excesso de mortalidade1 em mulheres que fumam durante a vida adulta, portanto, exigem estudos de mortalidade1 durante o século 21 com mulheres nascidas após os primeiros 25 anos do século 20, em países como o Reino Unido ou os EUA, em vez de estudos de décadas anteriores de mortalidade1, ou de populações em que o consumo de cigarros se espalhou ainda mais recentemente.

Os riscos do tabagismo para mulheres nos EUA durante o final do século 20 têm sido relatados por vários estudos confiáveis, incluindo o ACS Cancer3 Prevention Study II (CPS-II) e o Nurses’ Health Study. No estudo prospectivo4 apresentado, realizado com a participação de um milhão de mulheres do Reino Unido, o Million Women Study, foram relatados os riscos do tabagismo e os benefícios de ter parado de fumar em várias idades, com base em taxas de mortalidade1 do século 21.

Para este estudo prospectivo4, publicado pelo periódico The Lancet, 1,3 milhões de mulheres do Reino Unido foram recrutadas, entre 1996-2001, do National Health Service Breast Screening Programme (NHSBSP). Elas responderam a um questionário inicial sobre estilo de vida, história clínica, fatores sociodemográficos, uso ou não do cigarro e quantidade de cigarros consumidos ao dia. Posteriormente, elas participaram, por via postal, de dois novos questionários em intervalos de cerca de 3 anos e de 8 anos. Todas foram acompanhadas pelos registros nacionais de óbitos durante 12 anos, mesmo aquelas que não responderam ao segundo e terceiros questionários. Aquelas que eram ex-fumantes, tanto inicialmente quanto em três anos e que tinham parado de fumar antes da idade de 55 anos, foram classificadas pela idade que tinham largado o vício. Foram utilizados modelos de regressão de Cox para obter riscos relativos ajustados que compararam categorias de fumantes ou ex-fumantes com outras semelhantes que nunca fumaram.

Após a exclusão de 100 mil mulheres com doença anterior, 1 milhão e 200 mil mulheres mantiveram-se no estudo, com o ano de nascimento mediano em 1943 (1938-1946) e idade média de 55 anos (52 a 60 anos). De modo geral, 6% morreram na idade média de 65 anos. No início do estudo, 20% eram fumantes, 28% eram ex-fumantes e 52% eram não-fumantes. Em 12 anos, aquelas que fumavam no início do estudo tiveram taxa de mortalidade1 de 2,76 comparadas às não-fumantes, apesar de 44% delas, que responderam o questionário de 8 anos, terem parado de fumar. A mortalidade1 foi triplicada, em grande parte e independentemente da idade, em pessoas que ainda fumavam quando um novo questionário foi aplicado em um intervalo de três anos após início do estudo (taxa de proporção de 2,97). Mesmo para as mulheres que fumavam menos de 10 cigarros por dia no início do estudo, a mortalidade1 em 12 anos foi duplicada.

Das 30 causas mais comuns de morte, 23 estavam significativamente aumentadas em fumantes. O excesso de mortalidade1 entre as fumantes (em comparação com as não-fumantes) foi principalmente devido a doenças que, como o câncer3 de pulmão5, podem ser causadas pelo fumo. Entre as ex-fumantes que tinham parado de forma permanente em idades de 25 a 34 anos, ou em idades de 35 a 44 anos, os respectivos riscos relativos foram 1,05 e 1,20 para todas as causas de mortalidade1 e 1,84 e 3,34 para a mortalidade1 por câncer3 de pulmão5. Assim, embora alguns excessos de mortalidade1 permaneçam entre ex-fumantes de longo prazo, eles são de apenas 3% e de 10% entre as que continuam a fumar. Se combinados com as taxas de mortalidade1 nacionais do Reino Unido em 2010, as taxas de mortalidade1 triplicaram entre os fumantes e indicam que 53% dos fumantes e 22% dos não-fumantes morrem antes da idade de 80 anos, é uma diferença de onze anos de vida.

NEWS.MED.BR, 2012. Os perigos do tabagismo no século 21 e os benefícios de parar de fumar: um estudo prospectivo com um milhão de mulheres no Reino Unido foi divulgado pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/330494/os-perigos-do-tabagismo-no-seculo-21-e-os-beneficios-de-parar-de-fumar-um-estudo-prospectivo-com-um-milhao-de-mulheres-no-reino-unido-foi-divulgado-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 30 nov. 2020.

Complementos

1 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
2 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
5 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
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