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Mel diluído inibe a formação de biofilme bacteriano: qual o potencial de aplicação em cateter urinário para evitar infecção?

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Biofilmes são ubíquos e quando maduros têm uma estrutura complexa de microcolônias em um polissacarídeo extracelular e em matriz extracelular de DNA. Os dispositivos médicos podem abrigar biofilmes, que têm mostrado causar infecções1 e agir como reservatórios para patógenos. Cateteres urinários permanecem por períodos de tempo consideráveis no mesmo local, sendo susceptíveis tanto a incrustações quanto à formação de biofilmes. Estratégias para minimizar a ocorrência de biofilmes formam uma área de pesquisa ativa em biomedicina. O mel Manuka possui, entre outras características, uma propriedade antibacteriana bem estabelecida. Este estudo tem como objetivo avaliar a influência do mel na formação precoce de biofilmes em um modelo in vitro estabelecido.

Um modelo estabelecido de formação precoce de biofilme utilizando culturas bacterianas estáticas, em 96 placas2 de vinil, foi usado para o crescimento de Escherichia coli, linhagem ATC 25922, e Proteus mirabilis, linhagem 7002. Células3 planctônicas foram removidas e o biofilme residual foi corado com o reagente violeta de genciana, sendo subsequentemente fracionado e quantificado espectrofotometricamente. O mel Manuka (Unique Manuka Factor 15+) foi adicionado tanto com as bactérias quanto até 72 horas depois.

Os biofilmes neste modelo foram desenvolvidos ao longo de três dias, após os quais o crescimento estagnou. Culturas mistas de E. coli e P. mirabilis (1:1) cresceram mais lentamente do que as monoculturas. Nas culturas mistas, o mel proporcionou uma redução dependente da dose na formação de biofilmes (entre 3,3 e 16,7% w/v). Em 72 horas, todas as concentrações inibiram maximamente (p<0,001). A aplicação de mel às culturas após 24 e 48 horas também reduziu a aderência de biomassa bacteriana (p<0,05 - p<0,01).

Concluiu-se neste estudo que o mel Manuka em diluições tão baixas como 3,3% w/v em alguns protocolos e em 10% ou mais em todos os protocolos testados inibiu significativamente a ligação bacteriana a um substrato de vinil e reduziu o desenvolvimento adicional de biofilme precoce. Nenhum aumento do crescimento sobre os controles não tratados foi observado em qualquer experimento.

Leia também os artigos: "Infecção4 urinária", "Mel ajuda a melhorar a tosse noturna na infância" e "Eficácia do mel em comparação com corticosteroide tópico5 para o tratamento de aftas recorrentes".

 

Fonte: Journal of Clinical Pathology, publicação online, em 26 de setembro de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Mel diluído inibe a formação de biofilme bacteriano: qual o potencial de aplicação em cateter urinário para evitar infecção?. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1276848/mel-diluido-inibe-a-formacao-de-biofilme-bacteriano-qual-o-potencial-de-aplicacao-em-cateter-urinario-para-evitar-infeccao.htm>. Acesso em: 26 set. 2020.

Complementos

1 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
2 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
3 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
4 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
5 Tópico: Referente a uma área delimitada. De ação limitada à mesma. Diz-se dos medicamentos de uso local, como pomadas, loções, pós, soluções, etc.
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