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Intervenções baseadas em mindfulness podem reduzir o uso de substâncias em jovens

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Intervenções baseadas em mindfulness (IBMs) podem ajudar a reduzir o uso de substâncias em jovens, de acordo com uma revisão sistemática de 23 estudos publicada na revista Pediatrics.

Desses estudos, que incluíram quase 2.300 participantes, mais de dois terços mostraram resultados positivos com IBMs, em comparação tanto com intervenções comparativas passivas quanto ativas, tanto para a redução do uso de substâncias quanto para outros desfechos agrupados relacionados ao uso de substâncias, relataram Christopher J. Hammond, MD, PhD, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA, e co-autores.

Os resultados corroboraram metanálises de IBMs em adultos com transtornos por uso de substâncias, observaram os autores. “Embora promissores, esses resultados agregados devem ser interpretados com cautela, considerando suas diversas fontes de dados e desfechos de curto prazo”, alertaram.

Segundo Hammond, “intervenções baseadas em mindfulness, mesmo as breves, podem reduzir o uso de substâncias e os problemas relacionados a substâncias em jovens e podem atuar por meio de mecanismos diferentes de outras psicoterapias baseadas em evidências para o uso de substâncias por jovens.”

“Embora sejam necessárias mais pesquisas, treinamentos breves de mindfulness e exercícios práticos, como respiração consciente ou o urge surfing (surfar o desejo), são fáceis para clínicos pediátricos aprenderem e aplicarem, e podem reduzir o uso de substâncias e impactar positivamente o funcionamento psicológico em jovens, mesmo naqueles que não têm interesse em parar de usar álcool/drogas”, disse ele.

Leia sobre "Como manter mais baixo o risco do consumo de bebidas alcoólicas" e "Quinze sinais1 que apontam para a dependência às drogas".

“Em termos dos possíveis mecanismos pelos quais as IBMs ajudaram a reduzir o uso de substâncias, nosso estudo fornece evidências preliminares de que as IBMs podem reduzir o uso de substâncias em jovens por meio de mecanismos de autorregulação, aumentando a autoeficácia, diminuindo a impulsividade e o afeto negativo e mudando a forma como os jovens que usam substâncias reagem ao estresse e aos desejos”, explicou Hammond.

Ele também destacou um “padrão distinto observado em que o recebimento de IBMs – em comparação com o recebimento de condições de controle – não foi associado a uma redução nos desejos por álcool ou drogas, mas sim a um aumento na aceitação dos desejos pelos jovens e na capacidade de resistir a eles”, o que ele atribuiu a uma capacidade aprendida de “lidar com o desconforto momentâneo.”

O objetivo principal do estudo foi caracterizar a eficácia das IBMs na redução do consumo de álcool ou drogas. Além disso, os autores buscaram identificar componentes populacionais e de intervenção relacionados aos resultados do tratamento e analisar mudanças nos processos psicológicos para identificar os mecanismos potenciais dessas intervenções.

“A eficácia relativa das IBMs para os resultados relacionados ao uso de substâncias foi observada em diferentes tipos de substâncias, mas foi mais consistente para o consumo de álcool, embora isso possa ser um artefato de viés de recrutamento e amostragem”, escreveram Hammond e sua equipe.

Eles também descobriram que estudos que utilizaram IBMs breves e ultrabreves apresentaram resultados positivos de forma mais consistente.

Esses estudos tinham maior probabilidade de usar grupos de controle em lista de espera e de envolver estudantes universitários ou adultos que não buscavam tratamento, apontou Hammond. Ele sugeriu que IBMs de “baixa intensidade” podem, portanto, ser mais eficazes na redução do consumo de substâncias em estudantes universitários que bebem ou usam drogas, mas que não comparecem a serviços clínicos para tratamento. “Isso justifica uma investigação mais aprofundada”, acrescentou.

No artigo publicado, os pesquisadores relatam a realização dessa revisão sistemática de intervenções baseadas em mindfulness para o uso de substâncias e transtornos por uso de substâncias em adolescentes.

Eles contextualizam que, considerando a grande lacuna no tratamento e a resposta modesta às abordagens contemporâneas de tratamento de drogas para adolescentes, o interesse em intervenções baseadas em mindfulness (IBM) para essa população está crescendo.

O objetivo deste estudo, portanto, foi revisar sistematicamente a literatura existente sobre a eficácia de IBMs na redução do uso de álcool/drogas e na melhoria do funcionamento psicológico em jovens que usam substâncias (JUS), utilizando as diretrizes PRISMA.

As fontes de dados foram PubMed, EMBASE, Cochrane Library, PsycINFO e Web of Science. Os estudos selecionados utilizaram delineamentos de ensaios clínicos2 randomizados (ECR) para comparar a eficácia de uma IBM com uma intervenção comparadora em desfechos relacionados ao uso de substâncias em amostras de JUS (12-21 anos).

Os dados extraídos incluíram características do delineamento do estudo, características da amostra, variáveis de desfecho, medidas de origem (instrumentos utilizados) e características das IBMs e das condições de controle.

Após a revisão de 2090 citações, identificou-se 23 estudos elegíveis que relataram resultados de 21 ensaios clínicos2 com 2297 participantes. Observou-se um alto grau de heterogeneidade entre os delineamentos dos estudos, as abordagens analíticas, os tipos de IBM e as populações estudadas.

Mais de dois terços dos estudos relataram resultados positivos que favorecem a IBM em relação às condições de comparação para reduções no uso de substâncias após a intervenção e para os desfechos agrupados de uso de substâncias.

Os resultados de subgrupos forneceram evidências preliminares de que a IBM pode reduzir a impulsividade e alterar as respostas ao estresse e ao desejo, e que essas mudanças podem mediar a relação entre o recebimento da IBM e os desfechos relacionados ao uso de substâncias em JUS.

Dentre as limitações, os pesquisadores citam o fato de que poucos estudos examinaram os impactos da intervenção sobre substâncias ilícitas3, e a heterogeneidade das intervenções e dos desfechos limitou a capacidade de generalizar as descobertas.

Os resultados indicam que as intervenções baseadas em mindfulness podem produzir reduções pequenas a moderadas no uso de álcool/drogas e podem melhorar a impulsividade e a reatividade ao estresse em jovens que usam substâncias.

Veja também sobre "Atenção Plena ou Mindfulness: o que é isso", "Parar de beber: entendendo o processo e os benefícios" e "Os vícios e as suas caraterísticas".

 

Fontes:
Pediatrics, Vol. 157, Nº 2, em fevereiro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 22 de janeiro de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Intervenções baseadas em mindfulness podem reduzir o uso de substâncias em jovens. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1499600/intervencoes-baseadas-em-mindfulness-podem-reduzir-o-uso-de-substancias-em-jovens.htm>. Acesso em: 11 fev. 2026.

Complementos

1 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
2 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
3 Ilícitas: 1. Condenadas pela lei e/ou pela moral; proibidas, ilegais. 2. Qualidade das que não são legais ou moralmente aceitáveis; ilicitude.
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