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The Lancet: estudo STOP II avalia a eficácia da imunoterapia oral para a dessensibilização de crianças com alergia ao amendoim

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Ensaio clínico randomizado1 e controlado, publicado pelo periódico The Lancet, teve como objetivo estabelecer a eficácia da imunoterapia oral (OIT) para a dessensibilização2 de crianças com alergia3 a amendoim. Pequenos estudos sugerem que a imunoterapia oral (OIT) pode ser eficaz no tratamento de crianças com alergia3 ao amendoim.

O ensaio clínico randomizado1, duplo-cego e controlado, na fase 2 dos testes clínicos, realizado no NIHR/Wellcome Trust Cambridge Clinical Research Facility (em Cambridge, no Reino Unido), contou com a participação de crianças com idades entre 7 e 16 anos, com uma reação de hipersensibilidade imediata após a ingestão de amendoim, teste cutâneo4 positivo para o amendoim e teste de provocação oral por estudo duplo-cego5 placebo6 controlado positivo. Comparou-se a eficácia da imunoterapia oral em um grupo que usou este tratamento e em um grupo controle. O resultado primário foi a dessensibilização2 que foi registrada em 62% dos participantes no grupo ativo e nenhum do grupo controle após a primeira fase do estudo, com p<0,001. Cerca de 84% do grupo ativo tolerou a ingestão diária de 800 mg da proteína (equivalente a cerca de cinco amendoins). Depois da segunda fase do estudo, 54% toleravam 1400 mg diárias da proteína (equivalente a cerca de dez amendoins) e 91% toleravam a ingestão diária de 800 mg de proteína. Os índices de qualidade de vida melhoraram após a OIT. Os efeitos colaterais7 foram leves na maioria dos participantes. Os sintomas8 gastrointestinais foram os mais comuns (31 participantes com náuseas9, 31 com vômitos10 e um com diarreia11); prurido12 oral e chiado também foram observados. A adrenalina13 intramuscular foi utilizada em um participante.

A OIT induziu sucesso na dessensibilização2 da maioria das crianças que apresentavam alergia3 ao amendoim de qualquer gravidade, dentro da população estudada, com uma melhora clínica significativa. A qualidade de vida também melhorou após a intervenção e houve um bom perfil de segurança. Novos estudos em populações mais amplas são recomendados.

A OIT em pacientes com alergia3 ao amendoim não deve ser feita em ambientes não-especializados, mas é eficaz e bem tolerada na faixa etária estudada.

Fonte: The Lancet, publicação online de 30 de janeiro de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. The Lancet: estudo STOP II avalia a eficácia da imunoterapia oral para a dessensibilização de crianças com alergia ao amendoim. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/519947/the-lancet-estudo-stop-ii-avalia-a-eficacia-da-imunoterapia-oral-para-a-dessensibilizacao-de-criancas-com-alergia-ao-amendoim.htm>. Acesso em: 15 out. 2019.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Dessensibilização: É uma maneira de parar ou diminuir a resposta a reações alérgicas a algumas coisas. Por exemplo, se uma pessoa apresenta uma reação alérgica a alguma substância, o médico dá a esta pessoa uma pequena quantidade desta substância para aumentar a sua tolerância e vai aumentando esta quantidade progressivamente. Após um período de tempo, maiores doses são oferecidas antes que a dose total seja dada. É uma maneira de ajudar o organismo a prevenir as reações alérgicas.
3 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
4 Cutâneo: Que diz respeito à pele, à cútis.
5 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego” quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego” quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
6 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
7 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
10 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
11 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
12 Prurido: 1.    Na dermatologia, o prurido significa uma sensação incômoda na pele ou nas mucosas que leva a coçar, devido à liberação pelo organismo de substâncias químicas, como a histamina, que irritam algum nervo periférico. 2.    Comichão, coceira. 3.    No sentido figurado, prurido é um estado de hesitação ou dor na consciência; escrúpulo, preocupação, pudor. Também pode significar um forte desejo, impaciência, inquietação.
13 Adrenalina: 1. Hormônio secretado pela medula das glândulas suprarrenais. Atua no mecanismo da elevação da pressão sanguínea, é importante na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos. Usualmente utilizado como estimulante cardíaco, como vasoconstritor nas hemorragias da pele, para prolongar os efeitos de anestésicos locais e como relaxante muscular na asma brônquica. 2. No sentido informal significa disposição física, emocional e mental na realização de tarefas, projetos, etc. Energia, força, vigor.
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