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NEJM: liraglutide no manejo do peso corporal

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Um estudo randomizado1, controlado, comparou o uso de liraglutide (3,0 mg) ao uso de placebo2 no manejo do peso corporal em pacientes com sobrepeso3 ou obesos. O liraglutide foi associado a uma perda de peso clinicamente significativa, a uma diminuição da glicemia4 e de fatores de risco, melhorando a qualidade de vida. A pesquisa foi publicada pelo The New England Journal of Medicine (NEJM).

O GLP-1 (Glucagon5-Like Peptide-1) é um hormônio6 produzido no intestino, na presença de alimentos. Entre outras funções, ele estimula a produção e a secreção do hormônio6 insulina7 pelo pâncreas8. O liraglutide é um agonista9 do receptor GLP-1. Além de estimular a ação da insulina7 ele diminui a motilidade gástrica, aumentando a sensação de saciedade com uma quantidade menor de alimentos ingeridos.

A obesidade10 é uma doença crônica com graves consequências para a saúde11, mas a perda de peso é difícil de ser mantida através de uma intervenção feita somente no estilo de vida. O liraglutide, um análogo do GLP-1, tem demonstrado benefício potencial para o controle de peso com uma dose única diária de 3,0 mg, por via subcutânea12.

Foi realizado um estudo de 56 semanas, duplo-cego, envolvendo 3.731 pacientes que não tinham diabetes13 tipo 2 e que tinham um índice de massa corporal14 (IMC15) de pelo menos 30 ou um IMC15 de pelo menos 27 e tivessem tratado ou não tratado dislipidemia ou hipertensão arterial16. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente numa proporção de 2:1 para receber injeções subcutâneas diárias de liraglutide na dose de 3,0 mg (2.487 pacientes) ou placebo2 (1.244 pacientes). Ambos os grupos receberam aconselhamento sobre modificação de estilo de vida. Os resultados finais foram alteração no peso corporal e proporção de doentes com perda de pelo menos 5% ou mais de 10% do seu peso corporal inicial.

No início do estudo, a média de idade (± DP) dos pacientes foi de 45,1 ±12,0 anos; o peso médio foi de 106,2 ±21,4 kg e a média de IMC15 foi de 38,3± 6,4; um total de 78,5% dos pacientes eram mulheres e 61,2% tinham pré-diabetes17. Na 56ª semana, os pacientes no grupo liraglutide tinham perdido uma média de 8,4 ±7,3 kg de peso corporal e os do grupo placebo2 tinham perdido uma média de 2,8 ±6,5 kg (uma diferença de -5,6 kg; intervalo de confiança de 95%, -6,0 a -5,1; P<0,001). Um total de 63,2% dos pacientes no grupo liraglutide em comparação com 27,1% no grupo placebo2 perdeu pelo menos 5% do seu peso corporal (P<0,001); 33,1% e 10,6%, respectivamente, perdeu mais de 10% do seu peso corporal (P<0,001). Os eventos adversos mais frequentemente relatados com o liraglutide foram náuseas18 e diarreia19 leve ou moderada. Eventos graves ocorreram em 6,2% dos pacientes no grupo liraglutide e em 5,0% dos pacientes no grupo placebo2.

Neste estudo, o uso de 3,0 mg de liraglutide como adjuvante da dieta e dos exercícios físicos, foi associado a uma redução importante do peso corporal e a um melhor controle metabólico.

Fonte: The New England Journal of Medicine, volume 373, número 1, de 2 de julho de 2015

NEWS.MED.BR, 2015. NEJM: liraglutide no manejo do peso corporal. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/794589/nejm-liraglutide-no-manejo-do-peso-corporal.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.

Complementos

1 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
3 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
4 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
5 Glucagon: Hormônio produzido pelas células-alfa do pâncreas. Ele aumenta a glicose sangüínea. Uma forma injetável de glucagon, disponível por prescrição médica, pode ser usada no tratamento da hipoglicemia severa.
6 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
7 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
8 Pâncreas: Órgão nodular (no ABDOME) que abriga GLÂNDULAS ENDÓCRINAS e GLÂNDULAS EXÓCRINAS. A pequena porção endócrina é composta pelas ILHOTAS DE LANGERHANS, que secretam vários hormônios na corrente sangüínea. A grande porção exócrina (PÂNCREAS EXÓCRINO) é uma glândula acinar composta, que secreta várias enzimas digestivas no sistema de ductos pancreáticos (que desemboca no DUODENO).
9 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
10 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
11 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
12 Subcutânea: Feita ou situada sob a pele; hipodérmica.
13 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
14 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
15 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
16 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
17 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
18 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
19 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
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