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Bifosfonatos, usados no tratamento da osteoporose, podem causar uveíte ou esclerite em alguns pacientes, de acordo com trabalho publicado no CMAJ

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Alguns eventos adversos oculares, principalmente uveíte1 e esclerite2, estão sendo observados entre pacientes que fazem uso de bifosfonatos para o tratamento da osteoporose3. Estudo publicado pelo Canadian Medical Association Journal examinou o risco destes eventos adversos em um estudo de coorte4 retrospectivo5.

Foi realizado um estudo de coorte4, retrospectivo5, envolvendo moradores da Colúmbia Britânica que haviam visitado um oftalmologista6 entre 2000 e 2007. Dentro do grupo, foram identificadas todas as pessoas que estavam usando bifosfonatos orais pela primeira vez. Eles foram acompanhados observando-se o aparecimento de doenças oculares inflamatórias como a uveíte1 e a esclerite2. A pesquisa foi desenvolvida por estudiosos do Child and Family Research Institute e da University of British Columbia, no Canadá.

A coorte7 foi composta por 934.147 pessoas, incluindo 10.827 novos usuários de bifosfonatos e 923.320 não-usuários. A taxa de incidência8 entre os novos usuários foi de 29/10.000 para uveíte1 e 63/10.000 pessoas por ano para esclerite2. Em contraste, a incidência8 entre as pessoas que não usavam bifosfonatos orais foi de 20/10.000 para uveíte1 e 36/10.000 pessoas por ano para esclerite2.

Concluiu-se que as pessoas que usam bifosfonatos orais, pela primeira vez, podem estar em maior risco de desenvolver esclerite2 e uveíte1 em comparação com pessoas que não utilizam a medicação. Estas pessoas devem estar familiarizadas com os sinais9 e sintomas10 dessas condições, de modo que elas possam procurar imediatamente a avaliação de um oftalmologista6, caso seja necessário.

Fonte: Canadian Medical Association Journal, de 2 de abril de 2012

NEWS.MED.BR, 2012. Bifosfonatos, usados no tratamento da osteoporose, podem causar uveíte ou esclerite em alguns pacientes, de acordo com trabalho publicado no CMAJ. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/293550/bifosfonatos-usados-no-tratamento-da-osteoporose-podem-causar-uveite-ou-esclerite-em-alguns-pacientes-de-acordo-com-trabalho-publicado-no-cmaj.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.

Complementos

1 Uveíte: Uveíte é uma inflamação intraocular que compromete total ou parcialmente a íris, o corpo ciliar e a coroide (o conjunto dos três forma a úvea), com envolvimento frequente do vítreo, retina e vasos sanguíneos.
2 Esclerite: Inflamação da esclera, parte branca do olho. Na esclerite há dor importante ao movimento dos olhos, vermelhidão intensa e às vezes pode haver piora da visão.
3 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
4 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Retrospectivo: Relativo a fatos passados, que se volta para o passado.
6 Oftalmologista: Médico especializado em diagnosticar e tratar as doenças que acometem os olhos. Podem prescrever óculos de grau e lentes de contato.
7 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
8 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
9 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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