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Sistemas de circuito fechado que automatizam a administração de insulina podem melhorar os resultados glicêmicos em diabéticos tipo 1

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Neste estudo multicêntrico, randomizado1 e de 6 meses, publicado pelo The New England Journal of Medicine, os pacientes com diabetes tipo 12 foram divididos em uma proporção de 2:1 para receber tratamento com um sistema de circuito fechado (grupo de circuito fechado) ou uma bomba aumentada por sensor (grupo controle).

O desfecho primário foi a porcentagem de tempo em que o nível de glicose3 no sangue4 estava dentro da faixa alvo de 70 a 180 mg por decilitro (3,9 a 10,0 mmol por litro), conforme medido pelo monitoramento contínuo da glicose3.

Saiba mais sobre "Diabetes Mellitus5", "O papel da insulina6 no corpo", "Bomba de insulina7" e "Comportamento da glicose3 no sangue4".

Um total de 168 pacientes foram submetidos à randomização; 112 foram atribuídos ao grupo de circuito fechado e 56 foram atribuídos ao grupo de controle. A faixa etária dos pacientes foi de 14 a 71 anos, e o nível de hemoglobina glicada8 variou de 5,4 a 10,6%. Todos os 168 pacientes completaram o estudo.

A porcentagem média (± DP) de tempo em que o nível de glicose3 estava dentro da faixa alvo aumentou no grupo de circuito fechado de 61 ± 17% na linha de base para 71 ± 12% durante os 6 meses e permaneceu inalterada em 59 ± 14% no grupo controle (diferença média ajustada, 11 pontos percentuais; intervalo de confiança de 95% [IC], 9 a 14; P <0,001).

Os resultados com relação aos principais desfechos secundários (porcentagem de tempo em que o nível de glicose3 foi >180 mg por decilitro, nível médio de glicose3, nível de hemoglobina glicada8 e porcentagem de tempo em que o nível de glicose3 foi <70 mg por decilitro ou <54 mg por decilitro [3,0 mmol por litro]) atendiam ao critério hierárquico pré-especificado de significância, favorecendo o sistema de circuito fechado.

A diferença média (circuito fechado menos controle) na porcentagem de tempo em que o nível de glicose3 no sangue4 foi menor que 70 mg por decilitro foi de -0,88 pontos percentuais (IC 95%, -1,19 a -0,57; P <0,001). A diferença média ajustada no nível de hemoglobina glicada8 após 6 meses foi de -0,33 pontos percentuais (IC 95%, -0,53 a -0,13; P = 0,001).

No grupo de circuito fechado, a porcentagem média de tempo em que o sistema estava no modo de circuito fechado foi de 90% em 6 meses. Não ocorreram eventos hipoglicêmicos graves em nenhum dos grupos; um episódio de cetoacidose diabética9 ocorreu no grupo de circuito fechado.

Neste estudo de 6 meses envolvendo pacientes com diabetes tipo 12, o uso de um sistema de circuito fechado foi associado a uma porcentagem maior de tempo gasto em uma faixa glicêmica alvo do que o uso de uma bomba de insulina7 aumentada por sensor.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Diabetes10 e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos.

Leia sobre "Diabetes10 na adolescência", "Prevenção do Diabetes10 e suas complicações" e "Relação entre o aumento do Diabetes tipo 12 e obesidade11".

 

Fonte: The New England Journal of Medicine, publicação em 31 de outubro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Sistemas de circuito fechado que automatizam a administração de insulina podem melhorar os resultados glicêmicos em diabéticos tipo 1. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1350783/sistemas-de-circuito-fechado-que-automatizam-a-administracao-de-insulina-podem-melhorar-os-resultados-glicemicos-em-diabeticos-tipo-1.htm>. Acesso em: 13 nov. 2019.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
3 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
6 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
7 Bomba de insulina: Pequena bomba implantada no corpo para liberar insulina de maneira contínua ao longo do dia. A liberação de insulina é comandada pelo usuário da bomba, através de um controle remoto. Podem ser liberados bolus de insulina (várias unidades ao mesmo tempo) nas refeições ou quando os níveis de glicose estão altos, baseados na programação feita pelo usuário.
8 Hemoglobina glicada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
9 Cetoacidose diabética: Complicação aguda comum do diabetes melito, é caracterizada pela tríade de hiperglicemia, cetose e acidose. Laboratorialmente se caracteriza por pH arterial 250 mg/dl, com moderado grau de cetonemia e cetonúria. Esta condição pode ser precipitada principalmente por infecções, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, trauma e tratamento inadequado do diabetes. Os sinais clínicos da cetoacidose são náuseas, vômitos, dor epigástrica (no estômago), hálito cetônico e respiração rápida. O não-tratamento desta condição pode levar ao coma e à morte.
10 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
11 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
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