Novo nome para a síndrome dos ovários policísticos (SOP) reflete com mais precisão a condição

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) agora tem um novo nome que, segundo especialistas, reflete com mais precisão a condição: síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP).
A mudança ocorre após um extenso processo de consenso global envolvendo pacientes com a condição e profissionais de saúde multidisciplinares de todo o mundo, relataram Helena Teede, MD, PhD, do Centro de Pesquisa e Implementação em Saúde da Universidade Monash, em Melbourne, Austrália, e seus colegas.
Ao evitar referências enganosas a cistos ovarianos e refletir com precisão as características diversas e multissistêmicas da condição, o objetivo é que o novo nome aumente a conscientização, aprimore o diagnóstico e melhore a qualidade do atendimento e a satisfação da paciente, afirmaram os autores em uma iniciativa de política de saúde publicada na revista The Lancet.
“Essa mudança foi impulsionada com e para aquelas afetadas pela condição e estamos orgulhosos de termos chegado a um novo nome que finalmente reflete com precisão a complexidade da condição”, disse Teede em um comunicado à imprensa.
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O que historicamente era conhecido como SOP afeta uma em cada oito mulheres – cerca de 170 milhões de mulheres em todo o mundo. Apesar de ser tão prevalente, o próprio nome SOP é reconhecido há muito tempo como impreciso e tem causado confusão entre as pacientes por décadas. Esforços anteriores para mudar o termo fracassaram.
“As características clínicas abrangentes da condição não são contempladas em seu nome atual, pois, embora a interrupção do desenvolvimento folicular seja comum, os cistos ovarianos patológicos não são frequentes”, escreveram Teede e sua equipe, observando que o nome enganoso pode contribuir para o atraso no diagnóstico, com até 70% dos casos sem diagnóstico.
Embora seja considerada principalmente um distúrbio ginecológico ou ovariano, a condição é mais complexa, envolvendo fatores endócrinos, metabólicos, reprodutivos, psicológicos e dermatológicos. De acordo com as diretrizes internacionais, mulheres adultas com pelo menos 20 anos de idade são diagnosticadas com SOP se atenderem a dois dos seguintes critérios, após a exclusão de outros distúrbios: oligoanovulação, hiperandrogenismo clínico ou bioquímico, ou ovários policísticos na ultrassonografia ou hormônio antimülleriano elevado. Adolescentes devem atender aos dois primeiros critérios.
Rachel Weinerman, médica endocrinologista reprodutiva da Case Western Reserve University e do University Hospitals em Cleveland, disse que a mudança de nome da SOP já deveria ter ocorrido há muito tempo e que o novo termo representa com precisão que a SOMP é “uma condição metabólica que afeta múltiplos aspectos da saúde da mulher, incluindo sua função reprodutiva.”
Ela afirmou que o termo “policísticos” causava confusão desnecessária para as pacientes, que podiam pensar que ter um cisto – uma ocorrência ginecológica comum – significava ter SOP. Embora leve algum tempo para que pacientes e médicos se adaptem à nova terminologia, Weinerman acredita que o nome SOMP beneficiará as pacientes e reduzirá a confusão sobre cistos irrelevantes.
Anuja Dokras, médica e pesquisadora especializada em saúde da mulher, que dirige um centro multidisciplinar de SOP na Filadélfia, disse que espera que o termo SOMP traga maior conscientização sobre a condição para clínicos de diferentes especialidades e “permita o diagnóstico precoce e um aconselhamento mais abrangente sobre os riscos associados a essa síndrome.”
Confira a seguir o resumo do consenso publicado.
Síndrome ovariana metabólica poliendócrina, o novo nome para síndrome dos ovários policísticos: um processo de consenso global em várias etapas
A síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), anteriormente denominada síndrome dos ovários policísticos (SOP), afeta uma em cada oito mulheres. No entanto, o termo SOP é impreciso, implicando cistos ovarianos patológicos, obscurecendo diversas características endócrinas e metabólicas e contribuindo para o diagnóstico tardio, cuidados fragmentados e estigma, além de restringir a pesquisa e a formulação de políticas.
Com base em um mandato internacional para a mudança, delineou-se um processo de consenso global rigoroso e sem precedentes, em várias etapas, para a mudança de nome. O financiamento e a governança foram estabelecidos com o envolvimento de 56 organizações acadêmicas, clínicas e de pacientes líderes.
Usando pesquisas globais iterativas (com respostas de 10.411 pacientes com SOP e 3.949 profissionais de saúde multidisciplinares de todas as regiões do mundo), métodos Delphi modificados, workshops de técnica de grupo nominal e análises de marketing e implementação, identificou-se princípios que priorizam a precisão científica, a clareza, a prevenção do estigma, a adequação cultural e a viabilidade da implementação.
Priorizou-se um novo nome preciso em detrimento da manutenção da sigla SOP ou de um nome genérico. As abordagens de implementação priorizaram a evolução em vez da transformação. Os termos preferidos foram poliendócrino, metabólico e ovariano, refletindo a fisiopatologia multissistêmica da condição, e síndrome ovariana metabólica poliendócrina foi o novo nome consensual. A precisão foi aprimorada pela omissão de cistos e pela inclusão da disfunção endócrina, metabólica e ovariana.
Uma estratégia global de implementação, desenvolvida em conjunto, incluindo um período de transição, educação e alinhamento com os sistemas de saúde e a classificação da doença, está em andamento.
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Fontes:
The Lancet, Vol. 407, Nº 10545, em 06 de junho de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 13 de maio de 2026.
