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Novidades da medicina na semana 22 de 2026: estudos em gravidez, Alzheimer e insuficiência cardíaca

segunda-feira, 1 de junho de 2026
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Novidades da medicina na semana 22 de 2026: estudos em gravidez, Alzheimer e insuficiência cardíaca

A semana 22 de 2026 (25 a 31 de maio) trouxe novidades relevantes em obstetrícia, pediatria, neurologia, cardiologia, cirurgia, entre outras especialidades. Destacaram-se alguns estudos de maior apelo clínico, como um publicado pelo JAMA cujos dados associaram menos tempo sentado e mais movimento leve na gestação a menor risco de complicações; um publicado no JAMA Neurology que apresentou um modelo de estadiamento biológico da doença de Alzheimer por biomarcadores plasmáticos; e outro do JAMA Surgery que trouxe nova análise sobre segurança da colecistectomia robótica. No campo terapêutico, destacam-se as aprovações da Anvisa para rimegepanto na enxaqueca e para a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic no Brasil.

A seguir, reunimos os principais acontecimentos da semana anterior, organizados por especialidade.

Obstetrícia

Um estudo publicado no JAMA[1] avaliou a relação entre comportamento sedentário, atividade física leve e número de passos durante a gestação. Entre gestantes, passar menos tempo sentada e acumular mais movimento leve e passos diários foi associado a menor risco de desfechos adversos da gravidez, incluindo distúrbios hipertensivos gestacionais, diabetes gestacional, parto prematuro e recém-nascido pequeno para a idade gestacional. O achado é relevante porque desloca parte da discussão do exercício estruturado para mudanças mais acessíveis no cotidiano, como interromper períodos prolongados sentada e aumentar a movimentação leve ao longo do dia.

Pediatria

O JAMA Pediatrics[2] publicou uma estimativa nacional da prevalência de diabetes tipo 2 diagnosticado em crianças e adolescentes dos Estados Unidos. O estudo avaliou dados de 160.224 crianças e adolescentes do National Survey of Children’s Health de 2022 a 2024 e estimou prevalência ponderada de 1,40 caso por 1.000 pessoas na população com menos de 18 anos e de 2,60 por 1.000 entre jovens de 10 a 17 anos. Essa estimativa foi quase quatro vezes maior do que a observada em 2017 no estudo SEARCH para jovens de 10 a 19 anos, reforçando o diabetes tipo 2 pediátrico como problema crescente de saúde pública.

Neurologia

O JAMA Neurology[3] publicou um estudo longitudinal que desenvolveu e validou um modelo de estadiamento biológico da doença de Alzheimer baseado em biomarcadores plasmáticos. A combinação de %p-tau217 e eMTBR-tau243 mostrou forte concordância com o estadiamento por PET de amiloide e tau, além de correlação com gravidade clínica, progressão de biomarcadores e achados neuropatológicos. A proposta pode tornar o estadiamento da doença de Alzheimer mais escalável e menos invasivo, com potencial impacto na seleção de pacientes para terapias modificadoras da doença e ensaios clínicos.

A Anvisa aprovou, em 25 de maio, o Nurtec ODT (hemissulfato de rimegepanto sesqui-hidratado)[4] para adultos com enxaqueca. O medicamento é indicado tanto para o tratamento agudo da enxaqueca com ou sem aura quanto para a prevenção da enxaqueca episódica em adultos com pelo menos quatro crises por mês. O rimegepanto atua bloqueando a ação do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e representa uma alternativa sem mecanismo vasoconstritor, relevante para pacientes que não respondem, não toleram ou têm contraindicação aos triptanos.

Leia sobre "Guia de exercícios físicos durante a gravidez", "Diabetes na adolescência" e "Enxaqueca: como é".

Cardiologia

O New England Journal of Medicine[5] publicou os resultados do BioVAT-HF, estudo fase 1-2 aberto que avaliou tecido ventricular biológico derivado de células-tronco em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. A estratégia usa tecido cardíaco bioengenheirado produzido a partir de cardiomiócitos e células estromais derivadas de iPSC alogênicas, implantado cirurgicamente para remuscularização do miocárdio. A análise interina mostrou aumento da espessura da parede-alvo, melhora da fração de ejeção e ganhos em qualidade de vida, mas os autores ressaltam que os resultados ainda são iniciais, com amostra pequena, ausência de grupo controle e necessidade de estudos maiores e mais longos.

Cirurgia

O JAMA Surgery[6] publicou uma análise nacional (Estados Unidos) sobre a segurança da colecistectomia robótica em comparação com a laparoscópica na prática contemporânea. O estudo avaliou beneficiários do Medicare submetidos à colecistectomia entre 2020 e 2023 e encontrou dois pontos principais: o uso da abordagem robótica continuou crescendo de forma substancial, mas permaneceu associado a taxas ajustadas mais altas de lesão de via biliar em comparação com a laparoscopia, enquanto as diferenças nas complicações gerais foram pequenas. A notícia é relevante por discutir a adoção acelerada de uma tecnologia cirúrgica e a necessidade de avaliar segurança real fora de centros altamente especializados.

Também no JAMA Surgery[7], foi publicado o estudo randomizado Bridge to HOPE, que avaliou perfusão hipotérmica oxigenada pela veia porta em transplante hepático com enxertos de critérios expandidos. O ensaio incluiu 219 receptores em 15 centros dos Estados Unidos e comparou a perfusão oxigenada após armazenamento a frio com o armazenamento a frio isolado. A estratégia foi associada a menor disfunção precoce do enxerto, menor escore de função inicial do aloenxerto e menor tempo de internação, sem diferença significativa em sobrevida do paciente ou do enxerto. Os dados reforçam o papel das tecnologias de preservação para ampliar a segurança no uso de fígados de maior risco.

Saúde digital

O JAMA Network Open[8] publicou um estudo transversal sobre o engajamento digital de pacientes com o resumo pós-consulta em atendimento ambulatorial. O estudo avaliou 6.262.623 consultas e mostrou que o engajamento com o resumo digital aumentou de 20,8% em 2018 para 37,6% em 2023, mas permaneceu baixo. Os médicos gastaram mediana de 1,38 minuto por consulta elaborando instruções, embora o resumo não tenha sido visualizado em 62,4% dos encontros. O estudo aponta para um desafio prático da saúde digital: mesmo ferramentas pensadas para melhorar a comunicação pós-consulta podem gerar baixa adesão do paciente, carga adicional para profissionais e desigualdades de acesso.

Oncologia

A FDA aprovou, em 28 de maio, o durvalumabe (Imfinzi) em combinação com o Bacilo de Calmette e Guérin (BCG)[9] para adultos com câncer de bexiga não músculo-invasivo de alto risco, ainda não tratados previamente com BCG. A decisão se baseou no estudo POTOMAC, que incluiu 1.018 pacientes após ressecção transuretral do tumor. O durvalumabe associado ao BCG reduziu o risco de recorrência ou morte em comparação ao BCG isolado, com HR de 0,68; a mediana de sobrevida livre de doença não havia sido alcançada em nenhum dos grupos. A aprovação leva uma combinação imunoterápica para uma fase mais precoce do câncer de bexiga de alto risco.

O New England Journal of Medicine[10] publicou o estudo de fase 3 HERIZON-GEA-01, que avaliou zanidatamabe associado à quimioterapia, com ou sem tislelizumabe, como primeira linha para adenocarcinoma gastroesofágico HER2-positivo localmente avançado ou metastático. Os regimes contendo zanidatamabe prolongaram a sobrevida livre de progressão em comparação ao trastuzumabe com quimioterapia; o braço com zanidatamabe, tislelizumabe e quimioterapia também apresentou maior sobrevida global mediana em análises divulgadas, de 26,4 meses contra 19,2 meses no braço trastuzumabe-quimioterapia.

Hematologia

A FDA aprovou, em 27 de maio, o pivekimab sunirine-pvzy (Decnupaz)[11] para adultos com neoplasia de células dendríticas plasmocitoides blásticas, uma malignidade hematológica ultrarrara e agressiva. O medicamento é um conjugado anticorpo-fármaco direcionado ao CD123. No estudo CADENZA, a taxa de remissão completa ou remissão completa clínica foi de 69,7% em pacientes sem tratamento prévio e de 15,7% em pacientes com doença recidivada ou refratária. A bula inclui alerta em caixa para hepatotoxicidade, incluindo doença veno-oclusiva hepática.

Hepatologia

O New England Journal of Medicine[12] publicou os resultados de fase 3 dos estudos B-Well 1 e B-Well 2, que avaliaram bepirovirsen em adultos com hepatite B crônica não cirrótica em uso estável de análogos de nucleosídeo/nucleotídeo. Na semana 72, a cura funcional ocorreu em cerca de 20% dos pacientes tratados com bepirovirsen no B-Well 1 e em 19% no B-Well 2, contra nenhum caso nos grupos placebo. Os resultados são relevantes porque a hepatite B crônica geralmente exige tratamento prolongado, e a cura funcional permanece incomum com as estratégias atuais.

Endocrinologia

A Anvisa publicou, em 26 de maio, o registro do Ozivy[13], da EMS, primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic aprovada para comercialização no Brasil. O medicamento é indicado para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e exercício, em monoterapia quando a metformina é inadequada por intolerância ou contraindicação, ou em adição a outros medicamentos antidiabéticos. A novidade tem impacto no mercado brasileiro por ocorrer após a expiração da patente do Ozempic no país e pode ampliar a concorrência em torno da semaglutida para diabetes tipo 2.

Veja também sobre "Células-tronco", "Imunoterapia" e "Doação de órgãos".

 

Referências

[1] Adverse Pregnancy Outcomes and Sedentary Behavior, Light-Intensity Physical Activity, and Daily Steps. 2026. Disponível em JAMA.

[2] Prevalence of Diagnosed Type 2 Diabetes Among US Children and Adolescents. 2026. Disponível em JAMA Pediatrics.

[3] Plasma eMTBR-tau243 and %p-tau217 for Biological Staging of Alzheimer Disease. 2026. Disponível em JAMA Neurology.

[4] Anvisa autoriza novo medicamento para enxaqueca. 2026. Disponível em Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

[5] Stem-Cell-Derived Biologic Ventricular Assist Tissue in Heart Failure. 2026. Disponível em New England Journal of Medicine (NEJM).

[6] Comparative Safety of Robotic-Assisted vs Laparoscopic Cholecystectomy in Contemporary Practice. 2026. Disponível em JAMA Surgery.

[7] Portal-Venous Hypothermic Oxygenated Perfusion for Liver Transplant: A Randomized Clinical Trial. 2026. Disponível em JAMA Surgery.

[8] Patient Digital Engagement With After Visit Summary in Ambulatory Care. 2026. Disponível em JAMA Network Open.

[9] FDA approves durvalumab in combination with Bacillus Calmette-Guerin for high-risk non-muscle invasive bladder cancer. 2026. Disponível em U.S. Food and Drug Administration (FDA).

[10] Zanidatamab with and without Tislelizumab in HER2-Positive Gastroesophageal Cancer. 2026. Disponível em New England Journal of Medicine (NEJM).

[11] FDA approves pivekimab sunirine-pvzy for blastic plasmacytoid dendritic cell neoplasm, an ultra-rare hematologic malignancy. 2026. Disponível em U.S. Food and Drug Administration (FDA).

[12] Phase 3 Results of Bepirovirsen Treatment for Chronic Hepatitis B Virus Infection. 2026. Disponível em New England Journal of Medicine (NEJM).

[13] Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes. 2026. Disponível em Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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