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Terapia combinada promove perda de peso expressiva em estudo envolvendo pacientes com diabetes

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Terapia combinada promove perda de peso expressiva em estudo envolvendo pacientes com diabetes

Adultos com diabetes tipo 2 obtiveram uma perda de peso expressiva com uma combinação medicamentosa em fase de investigação, composta por eloralintida e tirzepatida (Mounjaro, Zepbound), de acordo com um estudo de fase IIb.

No ensaio clínico, que contou com 10 braços de tratamento, os participantes que receberam a dose mais alta testada de eloralintida associada à tirzepatida apresentaram uma redução de 23,3% no peso corporal ao longo de 48 semanas (na análise de eficácia), em comparação com uma perda de 14,8% observada com o uso de tirzepatida isolada.

Com base nessas tendências, “espera-se que a perda de peso continue”, afirmou a Dra. Liana Billings, médica e mestre em ciências médicas da Endeavor Health, em Evanston, Illinois, EUA, durante a reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizada em Milão, Itália.

Para contextualizar, a Dra. Billings explicou: “A tirzepatida, na dose de 15 mg, é, atualmente, uma terapia baseada em GLP-1 altamente eficaz para o diabetes tipo 2 e o controle de peso. Em estudos anteriores, não havíamos observado níveis de perda de peso dessa magnitude em pessoas com diabetes tipo 2.”

A perda de peso registrada neste estudo superou, inclusive, a observada com a tirzepatida em populações não diabéticas (20,9%). Historicamente, indivíduos com diabetes tipo 2 apresentam uma perda de peso menor ao utilizar agentes baseados em GLP-1, em comparação com pessoas que não possuem a doença.

A Dra. Billings destacou que, no grupo que recebeu a dose mais elevada da combinação de eloralintida e tirzepatida, um quarto dos participantes perdeu pelo menos 30% do seu peso corporal, um patamar comparável aos resultados obtidos com a cirurgia metabólica. Em contrapartida, no grupo que utilizou apenas tirzepatida, esse índice foi de 12%.

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A eloralintida é um agonista seletivo do receptor de amilina, enquanto a tirzepatida atua como um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1. A combinação foi desenvolvida para ativar, simultaneamente, três hormônios complementares estimulados pela ingestão de nutrientes — GIP, GLP-1 e amilina —, mantendo uma atividade mínima no receptor de calcitonina.

“Essas substâncias são liberadas naturalmente pelo organismo após a alimentação, com cada uma atuando por meio de seu próprio receptor específico para a auxiliar na regulação da fome e dos níveis de glicose no sangue”, explicou a fabricante, Eli Lilly, em um comunicado.

Billings afirmou que os médicos “agora têm a oportunidade, com medicamentos e combinações como esta, de personalizar a abordagem para os pacientes, garantindo que sejam atendidas tanto as necessidades de perda de peso quanto as de controle da glicose, por meio de diferentes doses e combinações”.

“A obesidade e o diabetes tipo 2 estão interconectados, e estamos observando o benefício potencial de atuar em múltiplas vias hormonais para tratar ambos”, acrescentou ela.

Vale ressaltar que quase todos os participantes do grupo que recebeu a combinação em dose mais alta atingiram um nível de HbA1c abaixo de 7% (96%), o que Billings descreveu como algo de “enorme impacto clínico”. Entre os participantes que receberam apenas tirzepatida, a mesma proporção também alcançou essa marca.

“Essa é a nossa meta padrão para a glicemia, e o fato de podermos prescrever algo e fazer com que 100% dos pacientes alcancem esse objetivo é algo notável”, disse Billings.

Além disso, 77% dos participantes do grupo que recebeu a combinação em dose mais alta atingiram um nível de HbA1c abaixo de 5,7%, o limiar para a normoglicemia, em comparação com 66% daqueles que utilizaram apenas tirzepatida.

Apesar da perda de peso e do controle glicêmico impressionantes, a tolerabilidade foi menos favorável.

Cerca de 84% dos participantes do grupo que recebeu a combinação em dose mais alta apresentaram eventos adversos decorrentes do tratamento, em comparação com 71,4% no grupo que utilizou apenas tirzepatida. O número de participantes que interrompeu o tratamento devido a eventos adversos foi quase 10 vezes maior no grupo que recebeu a combinação em dose mais alta do que no grupo que utilizou apenas tirzepatida (27% contra 2,9%).

O estudo, do tipo duplo-cego e com grupos paralelos, randomizou 367 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2 nos Estados Unidos e na Argentina em 10 grupos equivalentes: um grupo placebo, três grupos em monoterapia com eloralintida, um grupo em monoterapia com tirzepatida, quatro grupos utilizando a combinação de eloralintida e tirzepatida, e um grupo que iniciou o tratamento com tirzepatida e, na 24ª semana, passou a receber também eloralintida.

A terapia combinada foi administrada por meio de duas injeções separadas durante o estudo; no entanto, já existem planos para formular ambos os medicamentos em uma única injeção, observou Billings. Ocorreu um óbito no grupo que recebeu a combinação com a dose mais baixa, mas os pesquisadores consideraram que o fato não estava relacionado ao medicamento em estudo.

A eloralintida já está sendo avaliada como monoterapia em ensaios clínicos de fase III para obesidade. A Eli Lilly planeja avançar com a combinação de eloralintida e tirzepatida para a fase III de desenvolvimento até o final do ano.

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Confira a seguir o comunicado publicado pela farmacêutica.

EloraTZP (combinação de eloralintida e tirzepatida) proporcionou maior perda de peso e redução da HbA1c em comparação com a tirzepatida 15 mg em adultos com obesidade e diabetes tipo 2

A Eli Lilly and Company, fabricante do Zepbound (tirzepatida) e do Foundayo (orforglipron), anunciou resultados positivos de um estudo de Fase 2b que avaliou a segurança e a eficácia do EloraTZP, uma combinação experimental de eloralintida (um agonista seletivo do receptor de amilina) e tirzepatida (um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1) em 367 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.

Após 48 semanas, todas as combinações de EloraTZP atingiram os desfechos primários e secundários, proporcionando uma perda de peso substancial e a redução da hemoglobina glicada (HbA1c). Os resultados do estudo foram apresentados na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália.

A eloralintida, isoladamente, reduziu o peso corporal em até 13,0 kg (12,3%), em média, e a HbA1c em até 1,4 ponto percentual, enquanto a tirzepatida 15 mg reduziu o peso corporal em 15,6 kg (14,8%), em média, e a HbA1c em 2,4 pontos percentuais. Os participantes que receberam EloraTZP apresentaram uma perda de peso média de até 24,5 kg (23,3%) e uma redução de até 2,9 pontos percentuais na HbA1c após 48 semanas, superando os resultados obtidos com cada medicamento isoladamente.

Os eventos adversos mais frequentes foram de natureza gastrointestinal, sendo, em geral, de intensidade leve ou moderada e ocorrendo principalmente durante a fase de escalonamento da dose. Tais eventos foram observados com maior frequência nos grupos que receberam a combinação do que naqueles tratados apenas com eloralintida ou tirzepatida. As taxas de descontinuação do tratamento devido a eventos adversos variaram de 10,8% a 27,0% com EloraTZP e de 0% a 10,8% com eloralintida, e foram de 2,9% com tirzepatida e de 16,7% com placebo.

A eloralintida já está sendo avaliada como agente isolado em estudos de Fase 3 para o tratamento da obesidade. A Lilly planeja iniciar, até o final de 2026, estudos de Fase 3 de uma formulação combinada de EloraTZP, utilizando um esquema otimizado de escalonamento de doses.

Sobre o EloraTZP

O EloraTZP é uma combinação em fase de investigação composta por eloralintida, um agonista seletivo do receptor de amilina, e tirzepatida, um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1, princípio ativo presente no Zepbound e no Mounjaro. Ao atuar simultaneamente nas vias da amilina e das incretinas, o EloraTZP tem o potencial de melhorar o controle do peso e da glicemia por meio de sinais metabólicos que ocorrem naturalmente no organismo. No estudo de Fase 2b, a eloralintida e a tirzepatida foram administradas por meio de injeções separadas em adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.

Sobre o estudo

O estudo de Fase 2b foi um ensaio clínico de 48 semanas, com grupos paralelos, duplo-cego e controlado por placebo, destinado a investigar o controle de peso com o uso de eloralintida e Zepbound, isoladamente ou em combinação, em participantes adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2. O estudo randomizou 367 participantes, nos Estados Unidos e na Argentina, em uma proporção de 1:1:1:1:1:1:1:1:1:1, para receber placebo, eloralintida, tirzepatida ou EloraTZP. O objetivo principal do estudo foi demonstrar que a eloralintida, em combinação com o Zepbound, é superior ao placebo no que diz respeito à variação percentual do peso corporal em relação ao valor basal, após 48 semanas.

Todos os participantes que receberam eloralintida iniciaram o estudo com uma dose de 1 mg ou 3 mg, passando por um ajuste gradual até atingirem a dose-alvo final de 6 mg ou 9 mg. Todos os participantes que receberam a combinação de eloralintida e tirzepatida iniciaram o estudo com 1 mg ou 3 mg de eloralintida e 2,5 mg de tirzepatida, com ajustes graduais a cada quatro semanas até atingirem a dose-alvo. Todos os participantes que receberam tirzepatida iniciaram o estudo com 2,5 mg, com ajustes graduais a cada quatro semanas até atingirem a dose-alvo de 15 mg. Para alguns participantes que receberam eloralintida como terapia adjuvante à tirzepatida, a administração de eloralintida teve início na 24ª semana, começando com 3 mg e sendo aumentada para 6 mg após quatro semanas.

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Fontes:
Eli Lilly, comunicado publicado em 30 de setembro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 01 de outubro de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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