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Diagnóstico e tratamento de distúrbios neurológicos funcionais – mais pesquisas são necessárias

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
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Diagnóstico e tratamento de distúrbios neurológicos funcionais – mais pesquisas são necessárias

O distúrbio neurológico funcional (DNF), anteriormente considerado como um diagnóstico de exclusão, agora é um diagnóstico de inclusão com os tratamentos disponíveis. Isso representa um grande passo para desestigmatizar o transtorno, que muitas vezes foi questionado e considerado intratável.

O DNF é prevalente, geralmente afetando adultos jovens e de meia idade, e pode causar incapacidade grave em alguns indivíduos. Um diagnóstico precoce, com acesso subsequente a tratamentos reabilitativos e/ou psicológicos baseados em evidências, pode promover a recuperação, embora nem todos os pacientes respondam aos tratamentos atualmente disponíveis.

Esta revisão, publicada pelo The British Medical Journal, apresenta os avanços mais recentes no uso de sinais de exames de inclusão validados para orientar o diagnóstico e a variedade de abordagens terapêuticas disponíveis para cuidar de pacientes com DNF.

Leia também sobre "Doenças neuromusculares", "Doença do neurônio motor" e "Convulsões - o que são".

O artigo enfoca os dois subtipos de DNF mais frequentemente identificados: sintomas motores (fraqueza e/ou distúrbios do movimento) e sintomas do tipo convulsivo.

Vinte e dois estudos sobre sintomas motores e 27 estudos sobre sintomas do tipo convulsivo relatam alta especificidade dos sinais clínicos (64-100%), e os sinais individuais são revisados.

O diagnóstico das duas apresentações mais frequentes do distúrbio neurológico funcional (motor e tipo convulsivo) é agora uma abordagem de inclusão, como dito anteriormente, onde o uso cuidadoso de sinais clínicos positivos e perícia neurológica é obrigatório.

Um exame físico completo é necessário e o diagnóstico não deve basear-se apenas na revisão do prontuário médico e/ou histórico de fatores de risco associados (por exemplo, um evento traumático da vida) que não seja específico para o diagnóstico.

O uso de testes eletrofisiológicos adjuvantes, como registros de movimento para tremor ou eletroencefalograma (EEG) para DNF do tipo convulsivo, ajudam a determinar o diagnóstico em casos diagnósticos desafiadores; capturar um evento típico de convulsão em EEG por vídeo e apreciar a ausência de um correlato eletrográfico ajuda a fazer um diagnóstico de DNF do tipo convulsivo documentado.

Outros testes neurológicos não são necessários para o diagnóstico, mas podem ajudar se houver suspeita de um distúrbio neurológico coexistente subjacente. Um diagnóstico duplo de DNF e outro distúrbio neurológico deve sempre ser considerado.

Uma vez que o diagnóstico é feito, uma explicação clara deve ser fornecida ao paciente, evitando o termo “medicamente inexplicável”. Materiais educativos na forma de informações escritas ou baseadas na web podem ajudar os pacientes a entender o transtorno, construir suportes sociais e obter compreensão diagnóstica por meio da colaboração com grupos de apoio ao paciente, se desejado.

O tratamento precoce deve ser baseado nos sintomas físicos do paciente e informado pelo modelo biopsicossocial, levando em consideração fatores relevantes de saúde mental e socioculturais.

Intervenções de reabilitação (fisioterapia e terapia ocupacional) são tratamentos de escolha para sintomas motores funcionais, enquanto a psicoterapia é um tratamento emergente baseado em evidências em todos os subtipos de DNF.

Muitos pacientes se beneficiam de uma abordagem multidisciplinar que incorpora perspectivas neuropsiquiátricas e de reabilitação. O acompanhamento neurológico deve ser agendado rotineiramente, pois podem surgir novos sintomas que exijam triagem clínica.

A literatura até o momento destaca a heterogeneidade nas respostas ao tratamento, ressaltando que mais pesquisas são necessárias para individualizar os tratamentos e desenvolver novas intervenções e novos tratamentos biologicamente informados.

Leia a revisão na íntegra: Diagnosis and management of functional neurological disorder

Veja mais sobre "Reabilitação funcional - para que serve", "O que é terapia ocupacional", "O que é psicoterapia" e "Como é a fisioterapia".

 

Fonte: The British Medical Journal, publicação em 24 de janeiro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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