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Uso de paracetamol durante a gravidez pode alterar o desenvolvimento fetal

segunda-feira, 11 de outubro de 2021
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Uso de paracetamol durante a gravidez pode alterar o desenvolvimento fetal

O paracetamol (N-acetil-p-aminofenol [APAP], também conhecido como acetaminofeno) é o ingrediente ativo em mais de 600 medicamentos usados ​​para aliviar a dor leve a moderada e reduzir a febre.

O APAP é amplamente usado por grávidas, pois as agências governamentais, incluindo a FDA e a EMA, há muito consideram o APAP apropriado para uso durante a gravidez, quando usado conforme as instruções.

No entanto, o aumento da pesquisa experimental e epidemiológica sugere que a exposição pré-natal ao APAP pode alterar o desenvolvimento fetal, o que pode aumentar os riscos de alguns distúrbios neurodesenvolvimentais, reprodutivos e urogenitais.

Leia sobre "Quais medicamentos podem ou não podem ser tomados durante a gravidez" e "Os perigos da automedicação".

Estudos observacionais em humanos sugerem que a exposição pré-natal ao APAP pode estar associada a anormalidades reprodutivas e neurocomportamentais em ambos os sexos.

A exposição ao APAP durante a gravidez pode aumentar o risco de anomalias do trato urogenital e reprodutivo masculino, pois estudos encontraram um risco elevado de testículos não descidos (criptorquidia) e distância reduzida entre o ânus e a base do pênis, uma medida conhecida como distância anogenital (DAG). Tanto a redução de DAG quanto a criptorquidia são indicadores de masculinização perturbada e fatores de risco para distúrbios reprodutivos na vida adulta.

A exposição pré-natal ao APAP também foi associada ao desenvolvimento puberal feminino precoce.

Além disso, estudos epidemiológicos sugerem consistentemente que a exposição pré-natal ao APAP pode aumentar o risco de desfechos neurodesenvolvimentais e comportamentais adversos, como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA), atraso de linguagem (em meninas) e diminuição do quociente de inteligência.

Coletivamente, os estudos sugerem que o momento e a duração do uso de APAP pela mãe são fatores críticos.

Nesse contexto, em um consenso publicado na revista Nature Reviews Endocrinology, pesquisadores resumiram essas evidências e pediram ações de precaução por meio de um esforço de pesquisa direcionado e do aumento da conscientização entre profissionais de saúde e gestantes.

O APAP é um medicamento importante e as alternativas para o tratamento da febre alta e da dor intensa são limitadas. Recomenda-se que grávidas sejam alertadas no início da gravidez para:

  • abster-se de usar APAP, a menos que seu uso seja clinicamente indicado;
  • consultar um médico ou farmacêutico se não tiver certeza se o uso é indicado e antes de usar a longo prazo;
  • e minimizar a exposição usando a menor dose eficaz pelo menor tempo possível.

O APAP é uma exposição modificável. Os autores do consenso indicam reconhecer que existem alternativas médicas limitadas para tratar a dor e a febre; entretanto, acreditam que o peso combinado das evidências científicas humanas e animais é forte o suficiente para que grávidas sejam advertidas por profissionais de saúde contra seu uso indiscriminado, tanto como um único ingrediente quanto em combinação com outros medicamentos.

Recomenda-se, assim, que o APAP seja usado por grávidas com cautela na menor dose eficaz pelo menor tempo possível. O uso a longo prazo ou em altas doses deve ser limitado às indicações de um profissional de saúde. A embalagem deve incluir rótulos de advertência incluindo essas recomendações.

Dada a alta prevalência do uso de APAP por grávidas, as implicações para a saúde pública da redução do uso podem ser substanciais.

Os pesquisadores sugerem ações específicas para implementar essas recomendações. Esta Declaração de Consenso reflete as preocupações dos autores e atualmente é apoiada por 91 cientistas, médicos e profissionais de saúde pública de todo o mundo.

Veja também sobre "Agentes teratogênicos e Teratologia", "Malformações fetais" e "Gestação semana a semana".

 

Fonte: Nature Reviews Endocrinology, publicação em 23 de setembro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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