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Anvisa aprova medicamento injetável, inclisiran, capaz de reduzir colesterol LDL em 52%

terça-feira, 15 de agosto de 2023
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Anvisa aprova medicamento injetável, inclisiran, capaz de reduzir colesterol LDL em 52%

Novo medicamento injetável aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclisiran, controla o colesterol ruim (LDL), um dos principais fatores de risco por trás de eventos cardíacos.

A inclisirana sódica (Sybrava), da Novartis, é especialmente indicada a pacientes adultos com hipercolesterolemia primária ou dislipidemia mista (condições que causam níveis elevados de gorduras, incluindo colesterol, no sangue).

Estudos anteriores para eficácia e segurança da fórmula apontaram que com duas aplicações por ano é possível reduzir em média 52% dos níveis do LDL.

Saiba mais sobre "Dislipidemia", "Como reduzir os níveis de LDL" e "Aterosclerose".

A grande vantagem do novo medicamento é facilitar a adesão aos tratamentos contra problemas de colesterol, uma vez que são necessárias apenas 3 injeções no primeiro ano de uso e, a partir de então, apenas duas injeções por ano, uma a cada 6 meses. Isso é muito menos que as injeções atuais, chamadas anticorpos monoclonais, que são aplicadas mensalmente ou a cada 15 dias. O Sybrava também se mostrou capaz de diminuir os casos de infarto do miocárdio, AVC e derrames.

Isso é significativo pois o uso das estatinas, que são medicamentos de baixo custo comumente usados para reduzir o colesterol, não tem se mostrado eficaz para reduzir os infartos. Para pessoas com problemas cardíacos, é recomendada uma grande diminuição do colesterol, em torno de 50% do valor original, algo difícil de alcançar com as estatinas.

Por isso, o foco inicial da nova terapia será para pessoas que já tiveram infarto, derrame, já operaram o coração, botaram pontes de safena e que persistem com valores inadequados do LDL colesterol, além daquelas com problemas genéticos de colesterol, caso no qual é extremamente difícil manter o colesterol em níveis adequados.

O medicamento utiliza um mecanismo de interferência por RNA que reduz a produção da proteína hepática PCSK9. Em estudo publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, pesquisadores relataram a eficácia e segurança a longo prazo do inclisiran em pacientes com alto risco cardiovascular e colesterol LDL elevado.

Eles contextualizam que não se sabe se o tratamento a longo prazo com inclisiran, uma terapêutica com pequeno RNA de interferência (siRNA) semestral, que reduz a produção hepática de proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9), resulta em reduções sustentadas no colesterol LDL com um perfil de segurança aceitável.

O objetivo do estudo, portanto, foi avaliar o efeito da dosagem de longo prazo de inclisiran em pacientes com alto risco cardiovascular e colesterol LDL elevado.

O ORION-3 foi um estudo de extensão aberto de 4 anos do estudo de fase 2 controlado por placebo ORION-1, conduzido em 52 locais em cinco países. Pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica prevalente ou prevenção primária de alto risco e colesterol LDL elevado, apesar das estatinas máximas toleradas ou outros tratamentos para redução do LDL, ou com intolerância documentada às estatinas, que concluíram o estudo ORION-1, eram elegíveis.

Os pacientes que receberam inclisiran no ORION-1 receberam 300 mg de inclisiran sódico duas vezes ao ano por via subcutânea durante o ORION-3 (braço somente com inclisiran), enquanto os pacientes que receberam placebo no ORION-1 receberam primeiro evolocumabe subcutâneo 140 mg a cada 2 semanas até o dia 360, passando posteriormente para inclisiran duas vezes por ano durante o restante do estudo ORION-3 (braço de troca).

O desfecho primário de eficácia foi a alteração percentual no colesterol LDL com inclisiran desde o início do ORION-1 até o dia 210 da fase de extensão aberta no braço somente com inclisiran (aproximadamente 570 dias de exposição total ao inclisiran na população modificada com intenção de tratar). Os desfechos secundários e exploratórios incluíram alterações nos níveis de concentração de colesterol LDL-C e PCSK9 até o dia 1440 (4 anos) em cada braço e segurança.

Da coorte original de 497 pacientes do ORION-1, 290 de 370 pacientes alocados para o medicamento continuaram no braço somente de inclisiran e 92 de 127 pacientes alocados para placebo entraram no braço de troca no estudo de extensão ORION-3 conduzido entre 24 de março de 2017 e 17 de dezembro de 2021.

No braço apenas com inclisiran, o colesterol LDL foi reduzido em 47,5% (IC 95%: 50,7-44,3) no dia 210 e mantido por 1440 dias. A redução média de 4 anos do colesterol LDL foi de 44,2% (IC 95%: 47,1-41,4), com reduções na PCSK9 variando de 62,2% a 77,8%.

Eventos adversos no local da injeção foram relatados em 39 (14%) de 284 pacientes no braço de inclisiran apenas e 12 (14%) de 87 pacientes no braço de troca. A incidência de eventos adversos graves emergentes do tratamento possivelmente relacionados ao medicamento do estudo foi de 1% (três de 284) no braço de inclisiran apenas e de 1% (um de 87) no braço de troca.

O estudo concluiu que o inclisiran duas vezes por ano proporcionou reduções sustentadas nas concentrações de colesterol LDL e PCSK9 e foi bem tolerado durante 4 anos no estudo de extensão. Este foi o primeiro estudo prospectivo de longo prazo para avaliar a exposição hepática repetida ao inclisiran.

Leia sobre "Entendendo o colesterol do organismo", "Doenças cardiovasculares" e "Estatinas: prós e contras".

 

Fontes:
The Lancet Diabetes & Endocrinology, Vol. 11, Nº 2, em fevereiro de 2023.
Jornal da USP, notícia publicada em 19 de julho de 2023.
Conselho Federal de Farmácia, notícia publicada em 07 de julho de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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