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A perda de hormônios sexuais masculinos favorece o crescimento de tumores cerebrais

sexta-feira, 10 de julho de 2026
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A perda de hormônios sexuais masculinos favorece o crescimento de tumores cerebrais

Homens geralmente apresentam maior incidência de câncer e piores desfechos clínicos em comparação às mulheres. Embora os mecanismos subjacentes a essas diferenças entre os sexos ainda estejam sendo investigados, acredita-se que sejam mediados por hormônios sexuais chamados andrógenos, necessários para que o corpo desenvolva características masculinas.

Já foi demonstrado que esses hormônios enfraquecem a capacidade do sistema imunológico de responder ao câncer, e o bloqueio da sinalização androgênica pode aumentar a eficácia da imunoterapia para diversos tipos de tumores.

No entanto, em artigo publicado na revista Nature, pesquisadores relatam que os andrógenos exercem o efeito oposto no crescimento de tumores cerebrais. De acordo com o estudo, a redução dos hormônios sexuais responsáveis pelo desenvolvimento masculino induz uma neuroinflamação que prejudica a sinalização hormonal e as respostas imunológicas contra tumores cerebrais.

Leia sobre "Tumores cerebrais" e "O glioma e as suas características".

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Perda de andrógenos acelera o crescimento de tumores cerebrais via ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal

Muitos tipos de câncer, incluindo o glioblastoma (GBM), apresentam maior incidência em homens e desfechos clínicos mais desfavoráveis. Os mecanismos subjacentes a essa diferença entre os sexos permanecem pouco claros, mas podem envolver uma resposta imune parcialmente mediada por hormônios sexuais, como os andrógenos.

Acredita-se que tais hormônios suprimam a imunidade antitumoral mediada por células T e promovam a progressão tumoral. No entanto, relatou-se neste estudo um papel supressor de tumor dos andrógenos em tumores cerebrais, algo até então não descrito.

Utilizando modelos de camundongos, demonstrou-se que a perda de andrógenos por meio da castração acelera o crescimento de tumores intracranianos, enquanto o efeito oposto (retardo no crescimento tumoral) é observado em tumores extracranianos.

Efeitos semelhantes foram observados em pacientes do sexo masculino com GBM, nos quais o tratamento com testosterona reduziu significativamente o risco de morte.

Em camundongos machos com GBM, a castração induziu uma disfunção sistêmica das células T, mediada pelo aumento dos níveis séricos de glicocorticoides, os quais atuam nas células mieloides promovendo um microambiente tumoral imunossupressor.

Em termos mecanísticos, a hiperativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal em camundongos castrados com GBM é impulsionada pelo aumento da sinalização neuroinflamatória via IL-1β e TNF.

Análises de transcriptômica espacial revelaram ainda que a perda de andrógenos intensifica a ativação do inflamassoma na microglia, promovendo esse estado neuroinflamatório.

Em conjunto, esses achados demonstram que tumores cerebrais desencadeiam vias neuroinflamatórias e neuroendócrinas distintas em condições de privação de andrógenos e destacam a regulação órgão-específica da imunidade antitumoral.

Veja também sobre "Distúrbios da testosterona", "Sobre o uso de testosterona" e "Tratamento do câncer".

 

Fontes:
Nature, publicação em 06 de maio de 2026.
Nature, notícia publicada em 06 de maio de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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