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Alguns antidepressivos foram associados a um declínio cognitivo mais rápido em pacientes com demência

quinta-feira, 17 de abril de 2025
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Alguns antidepressivos foram associados a um declínio cognitivo mais rápido em pacientes com demência

 

 

Resumo:

  • Antidepressivos foram associados a um declínio cognitivo mais rápido em pessoas com demência.
  • ISRSs mostraram associações significativas com a piora da cognição em pacientes com demência.
  • O estudo faz parte de um projeto maior para avaliar como medicamentos comuns podem afetar pacientes com demência.

 

Medicamentos antidepressivos foram associados a taxas mais rápidas de declínio cognitivo em pacientes com demência, mostrou um estudo de coorte nacional na Suécia, publicado no BMC Medicine.

Entre quase 19.000 pessoas com demência, aquelas que receberam prescrição de antidepressivos apresentaram uma queda mais rápida nos escores do Mini Exame do Estado Mental (MEEM) (β = -0,30 pontos/ano, IC 95% -0,39 a -0,21, P <0,001) em comparação com aquelas que não receberam prescrição de antidepressivos, de acordo com Sara Garcia-Ptacek, médica e PhD do Instituto Karolinska em Estocolmo, e co-autores. As pontuações do MEEM variam de 0 a 30 pontos, com pontuações mais baixas indicando pior cognição.

A associação pareceu ser mais pronunciada em pessoas com demência grave, relataram os pesquisadores.

Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) foram os antidepressivos mais comumente prescritos (64,8%) no estudo. As prescrições também incluíram antidepressivos tricíclicos (2,2%), inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSNs; 2,0%) e outros antidepressivos (31,0%).

Em comparação com o não uso, os seguintes ISRS foram associados a um declínio cognitivo mais rápido:

  • Escitalopram (Lexapro): β = -0,76 pontos/ano, IC 95% -1,09 a -0,44, P <0,001
  • Citalopram (Celexa): β = -0,41 pontos/ano, IC 95% -0,55 a -0,27, P <0,001
  • Sertralina (Zoloft): β = -0,25 pontos/ano, IC 95% -0,43 a -0,06, P = 0,011

Mirtazapina, um antidepressivo tetracíclico oral, também foi associada a um declínio cognitivo mais rápido em comparação com o não uso (β = -0,19 pontos/ano, IC 95% -0,34 a -0,04, P = 0,014). Os resultados para antidepressivos tricíclicos (P = 0,543) e IRSNs (P = 0,381) não foram significativos.

Leia sobre "Perguntas e respostas sobre antidepressivos" e "Demência".

Pacientes com demência frequentemente apresentam depressão e ansiedade, que podem ser anteriores ao diagnóstico de demência ou podem ser sintomas comportamentais e psiquiátricos de demência.

“Esses sintomas podem impactar negativamente a qualidade de vida e a cognição. Frequentemente, usamos antidepressivos nesses casos, e era importante para nós saber se os antidepressivos impactam a cognição”, disse Garcia-Ptacek.

O estudo faz parte de um projeto maior liderado por Garcia-Ptacek que avaliou se medicamentos usados para outras condições poderiam afetar o declínio cognitivo em pacientes com demência. “Alguns dos medicamentos que encontramos tiveram efeitos positivos, por exemplo, estatinas e bloqueadores dos receptores da angiotensina”, observou ela.

“Descobrimos que os antidepressivos estavam associados a um pior declínio cognitivo, mas nem todos os antidepressivos eram iguais. Nossas descobertas podem ajudar a orientar a escolha do antidepressivo em pacientes com demência e abrir novos caminhos para a pesquisa”, destacou Garcia-Ptacek.

“Precisamos investigar melhor se os antidepressivos estão causando declínio cognitivo ou se outros fatores, como a própria depressão, estão por trás dessa associação”, acrescentou. “No futuro, espero ver prescrições muito mais direcionadas, em que os medicamentos sejam melhor adaptados a pacientes específicos.”

No artigo publicado os pesquisadores relatam que a demência está associada a sintomas psiquiátricos, mas os efeitos dos antidepressivos na função cognitiva em pacientes com demência são pouco estudados. O objetivo, portanto, foi investigar a associação entre antidepressivos e declínio cognitivo em pacientes com demência, e o risco de demência grave, fraturas e morte, dependendo da classe, do medicamento e da dose do antidepressivo.

Este é um estudo de coorte nacional. Foram incluídos pacientes com demência registrados no Registro Sueco de Transtornos Cognitivos/Demenciais – SveDem de 1º de maio de 2007 a 16 de outubro de 2018, com pelo menos um acompanhamento após o diagnóstico de demência e que fossem novos usuários de antidepressivos.

O uso de antidepressivos foi definido como uma exposição variável ao longo do tempo durante os 6 meses que antecederam o diagnóstico de demência ou cada acompanhamento subsequente. Utilizou-se modelos lineares mistos para examinar a associação entre o uso de antidepressivos e as trajetórias cognitivas avaliadas pelos escores do Mini Exame do Estado Mental (MEEM).

Utilizou-se modelos de riscos proporcionais de Cox para calcular as razões de risco para demência grave (escore no MEEM <10), fratura e morte. Comparou-se classes e medicamentos antidepressivos e analisou-se a dose-resposta.

Foram incluídos 18.740 pacientes (10.205 mulheres [54,5%]; média [DP] de idade, 78,2 [7,4] anos), dos quais 4.271 (22,8%) receberam pelo menos uma prescrição de antidepressivo. Durante o acompanhamento, foram emitidas 11.912 prescrições de antidepressivos, sendo os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs) os mais comuns (64,8%).

O uso de antidepressivos foi associado a um declínio cognitivo mais rápido (β [IC 95%] = -0,30 [-0,39, -0,21] pontos/ano), em particular sertralina (-0,25 [-0,43, -0,06] pontos/ano), citalopram (-0,41 [-0,55, -0,27] pontos/ano), escitalopram (-0,76 [-1,09, -0,44] pontos/ano) e mirtazapina (-0,19 [-0,34, -0,04] pontos/ano) em comparação com o não uso.

A associação foi mais forte em pacientes com demência grave (pontuações iniciais no MEEM de 0 a 9). O escitalopram apresentou uma taxa de declínio maior do que a sertralina. Em comparação com o não uso, observou-se um efeito dose-resposta dos ISRSs em maior declínio cognitivo e maiores riscos de demência grave, mortalidade por todas as causas e fraturas.

Neste estudo de coorte, o uso atual de antidepressivos foi associado a um declínio cognitivo mais rápido; além disso, doses dispensadas mais altas de ISRSs foram associadas a um maior risco de demência grave, fraturas e mortalidade por todas as causas.

Esses achados destacam a importância do monitoramento cuidadoso e regular para avaliar os riscos e benefícios do uso de diferentes antidepressivos em pacientes com demência.

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Fontes:
BMC Medicine, publicação em 25 de fevereiro de 2025.
MedPage Today, notícia publicada em 24 de fevereiro de 2025.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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