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Risco de meningioma associado à exposição à radiação aumenta com a dose após tratamento para câncer infantil

terça-feira, 27 de dezembro de 2022
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Risco de meningioma associado à exposição à radiação aumenta com a dose após tratamento para câncer infantil

O meningioma é a neoplasia subsequente mais comum após a irradiação craniana entre os sobreviventes de câncer infantil, mas ainda há incertezas quanto à magnitude da associação dose-resposta de radiação, potenciais modificadores dos riscos da radiação e o papel da quimioterapia.

Neste estudo, publicado no JAMA Oncology, o objetivo foi avaliar o risco de meningioma em sobreviventes de câncer infantil após radioterapia e quimioterapia e identificar possíveis fatores modificadores do risco associado à radiação.

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Este estudo de caso-controle internacional combinou dados de 4 estudos de caso-controle aninhados de sobreviventes de câncer infantil diagnosticados entre 1942 e 2000, acompanhados até 2016.

Os casos foram definidos como participantes diagnosticados com um meningioma subsequente. Os controles foram pareados com os casos com base no sexo, idade no primeiro diagnóstico de câncer e duração do acompanhamento. Os dados foram analisados de julho de 2019 a junho de 2022.

As exposições do estudo foram a dose de radiação (Gy) no local do meningioma e doses cumulativas de quimioterapia, incluindo doses de metotrexato intratecal e sistêmico.

O desfecho principal foi meningioma subsequente, avaliado por meio de odds ratios (ORs) e excesso de odds ratio por gray (EOR/Gy).

A análise incluiu 273 sobreviventes de câncer infantil que desenvolveram meningioma (casos) e 738 sobreviventes que não desenvolveram (controles), com um total de 1.011 indivíduos (idade mediana [IQR] no primeiro diagnóstico de câncer 5,0 [3,0-9,2] anos; 599 [59,2%] do sexo feminino). O tempo médio (IQR) desde o primeiro câncer foi de 21,5 (15,0-27,0) anos.

O aumento da dose de radiação foi associado ao aumento do risco de meningioma (EOR/Gy, 1,44; IC 95%, 0,62-3,61) e não houve evidência de afastamento da linearidade (P = 0,90).

Em comparação com os sobreviventes que não foram expostos à radioterapia, aqueles que receberam doses de 24 Gy ou mais tiveram chances 30 vezes maiores de meningioma (OR, 33,66; IC 95%, 14,10-80,31).

A associação dose-resposta de radiação foi significativamente menor entre pacientes tratados com 10 anos de idade ou mais em comparação com aqueles tratados antes dos 10 anos de idade (EOR/Gy, 0,57; IC 95%, 0,18-1,91 vs 2,20; IC 95%, 0,87-6,31; P para heterogeneidade = 0,03).

O risco associado à radiação permaneceu significativamente elevado 30 anos após a exposição (EOR/Gy, 3,76; IC 95%, 0,77-29,15).

Encontrou-se um risco aumentado de meningioma entre as crianças que receberam metotrexato (OR, 3,43; IC 95%, 1,56-7,57), mas nenhuma evidência de associação dose-resposta ou interação com a dose de radiação.

Esses achados sugerem que as meninges são altamente radiossensíveis, especialmente para crianças tratadas antes dos 10 anos de idade. Esses resultados apoiam a redução da irradiação de todo o cérebro nas últimas décadas e a priorização de abordagens que limitam a exposição à radiação em tecidos saudáveis para crianças.

A persistência de riscos elevados de meningiomas por 30 anos após a radioterapia craniana pode ajudar a informar as diretrizes de vigilância.

Leia sobre "Meningiomas" e "Câncer - informações importantes".

 

Fonte: JAMA Oncology, publicação em 06 de outubro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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