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Pesquisadores estão um passo mais perto de reverter o processo destrutivo de envelhecimento dos óvulos

segunda-feira, 4 de abril de 2022
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Pesquisadores estão um passo mais perto de reverter o processo destrutivo de envelhecimento dos óvulos

Em grande parte do mundo, um número cada vez maior de mulheres está adiando o nascimento do primeiro filho até os trinta e tantos anos, ou mesmo os quarenta. Nessa idade, seus óvulos estão se deteriorando rapidamente e, mesmo com a fertilização in vitro, suas perspectivas de concepção estão longe de ser garantidas.

Reverter essa deterioração é o objetivo final do biólogo molecular Dr. Michael Klutstein, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. Essa possibilidade agora está mais próxima com pesquisas recentes de seu laboratório, em que eles e seus colegas descobriram como esse mecanismo que envelhece os óvulos funciona e conseguiram revertê-lo com um antiviral inicialmente criado para o tratamento da AIDS, a Zidovudina ou AZT. As descobertas foram publicadas no periódico científico Aging Cell.

No experimento com o uso do antiviral, os pesquisadores conseguiram recuperar gametas envelhecidos e elevar sua maturação em até 28,6%.

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Nos humanos, os óvulos começam a acumular danos ao seu material genético quando a mulher é relativamente jovem. Muitas vezes, quando ela chega aos trinta e poucos anos, seus óvulos acumulam tantos danos ao DNA que são incapazes de amadurecer e ser fertilizados. A equipe do Dr. Klutstein identificou com sucesso um dos processos de envelhecimento que impedem a maturação bem-sucedida de um óvulo. O mais importante entre eles é a perda dos processos de regulação que normalmente impedem que as partes prejudiciais do DNA se tornem ativas.

No artigo, intitulado “Perda de heterocromatina e silenciamento de retrotransposão como determinantes no envelhecimento oocitário”, os pesquisadores investigaram sobre a diminuição da qualidade dos oócitos de mamíferos com a idade.

Eles mostraram que antes da ocorrência de aneuploidia significativa (9M em camundongo), as marcas de histonas de heterocromatina são perdidas e a maturação do oócito é prejudicada. Essa perda ocorre tanto em marcas de heterocromatina constitutivas quanto facultativas, mas não em marcas ativas eucromáticas. Mostrou-se que a perda de heterocromatina com a idade também ocorre em oócitos humanos presos em prófase I.

Além disso, a perda de heterocromatina é acompanhada em oócitos de camundongos por um aumento no processamento de RNA e associada a uma elevação na expressão de retrotransposões de L1 e IAP e na localização nuclear de danos no DNA e proteínas de reparo do DNA.

A inibição artificial da maquinaria da heterocromatina em oócitos jovens causa uma elevação na expressão do retrotransposão e defeitos na maturação do oócito. A inibição da transcriptase reversa do retrotransposão através do tratamento com azidotimidina (AZT) em oócitos mais velhos resgata parcialmente seus defeitos de maturação e a atividade da maquinaria de reparo do DNA.

Além disso, a ativação da maquinaria da heterocromatina por meio do tratamento com a molécula ativadora de SIRT1 SRT-1720, ou a superexpressão de Sirt1 ou Ezh2 via eletroporação de plasmídeo em oócitos mais velhos causa uma regulação positiva da heterocromatina constitutiva, regulação negativa da expressão de retrotransposão e taxas de maturação elevadas.

Coletivamente, esse trabalho demonstra um processo significativo no envelhecimento do oócito, caracterizado pela perda das marcas de cromatina associadas à heterocromatina e ativação de retrotransposões específicos, que causam danos ao DNA e prejudicam a maturação do oócito.

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Fontes:
Aging Cell, publicação em 15 de fevereiro de 2022.
News Medical, notícia publicada em 08 de março de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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