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Estudo sobre associações entre parto cesáreo e mortalidade infantil no Brasil demonstra risco aumentado de mortalidade a menos que haja indicação clara para cesárea

segunda-feira, 8 de novembro de 2021
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Estudo sobre associações entre parto cesáreo e mortalidade infantil no Brasil demonstra risco aumentado de mortalidade a menos que haja indicação clara para cesárea

Há um uso crescente de parto cesáreo (PC) com base na preferência ao invés de indicação médica. No entanto, ainda não está claro até que ponto o PC não indicado clinicamente beneficia ou prejudica a sobrevivência infantil.

Neste estudo, publicado na revista PLOS Medicine, a hipótese era que em grupos com baixa indicação de PC, esse procedimento estaria associado a maior mortalidade infantil, e em grupos com clara indicação médica de PC, estaria associado a maiores chances de sobrevivência infantil.

Foi conduzido um estudo de coorte de base populacional no Brasil relacionando dados de rotina sobre nascidos vivos entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2018 e avaliando a mortalidade até 5 anos de idade.

Saiba mais sobre "Mortalidade infantil no Brasil", "Como é a cesárea" e "Quantas cesarianas uma mulher pode fazer com segurança".

As mulheres com um nascimento vivo que contribuíram com registros durante este período foram classificadas em um dos 10 grupos de Robson com base em suas características de gravidez e parto.

Usou-se os escores de propensão para combinar PC com partos vaginais (1:1) e PC pré-trabalho de parto com PC não programado (1:1) e associações estimadas com mortalidade infantil usando regressões de Cox.

Um total de 17.838.115 nascidos vivos foram analisados. Após o pareamento do escore de propensão (PEP), descobriu-se que nascidos vivos de mulheres em grupos com baixas frequências esperadas de PC (grupos de Robson 1 a 4) tiveram uma taxa de mortalidade maior até a idade de 5 anos se o nascimento foi por PC em comparação com partos vaginais (HR = 1,25, IC 95%: 1,22 a 1,28; p <0,001). A taxa relativa foi maior no período neonatal (HR = 1,39, IC 95%: 1,34-1,45; p <0,001).

Não houve diferença na taxa de mortalidade ao comparar os filhos nascidos por um PC pré-trabalho de parto com aqueles nascidos por um PC não programado. Para os nascidos vivos de mulheres com PC em uma gravidez anterior (grupo de Robson 5), as taxas relativas de mortalidade infantil foram semelhantes para aqueles nascidos por PC em comparação com partos vaginais (HR = 1,05, IC 95%: 1,00 a 1,10; p = 0,024).

Em contraste, para nascidos vivos de mulheres em grupos com altas taxas esperadas de PC (grupos de Robson 6 a 10), a taxa de mortalidade infantil foi menor para PC do que para partos vaginais (HR = 0,90, IC 95%: 0,89 a 0,91; p <0,001), principalmente no período neonatal (HR = 0,84, IC 95%: 0,83 a 0,85; p <0,001).

Os resultados devem ser interpretados com cautela na prática clínica, uma vez que dados clínicos relevantes sobre a indicação de parto cesáreo não estavam disponíveis.

Neste estudo, observou-se que nos grupos de Robson com baixas frequências esperadas de parto cesáreo, esse procedimento foi associado a um aumento de 25% na mortalidade infantil. No entanto, em grupos com altas frequências esperadas de parto cesáreo, os achados sugerem que a cesariana clinicamente indicada está associada a uma redução na mortalidade infantil.

Assim, o estudo sugere que, no Brasil, a cesárea está associada a um risco aumentado de mortalidade infantil, a menos que haja uma indicação clara para o procedimento.

O estudo pode ajudar grávidas e seus médicos a tomar decisões informadas sobre se o parto cesáreo é apropriado para elas.

Recomenda-se mais pesquisas em ambientes de baixa e média renda para confirmar os resultados. Se confirmado, intervenções direcionadas a gestantes, profissionais de saúde e sistemas de saúde devem ser feitas para reduzir as taxas de cesariana não indicada.

Leia sobre "Parto normal ou cesárea" e "Parto vaginal - como é".

 

Fonte: PLOS Medicine, publicação em 12 de outubro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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