NewsMed

Estudo descobre que microbiota intestinal pode controlar a função imune antitumoral no fígado

terça-feira, 12 de junho de 2018
Avalie este artigo
Estudo descobre que microbiota intestinal pode controlar a função imune antitumoral no fígado

Cientistas do National Cancer Institute / Center for Cancer Research (NCI/CCR) descobriram uma conexão entre bactérias no intestino e respostas imunes antitumorais no fígado. O estudo mostrou que as bactérias encontradas no intestino de ratos afetam a função imune antitumoral do fígado.

"O que descobrimos usando diferentes modelos de tumores é que, se você trata camundongos com antibióticos e com isso mata certas bactérias, pode mudar a composição das células imunológicas do fígado, afetando o crescimento de tumores hepáticos", disse Tim Greten, Médico do NCI/CCR, que liderou o estudo.

Saiba mais sobre "Câncer de fígado".

O microbioma é a coleção de bactérias e outros microrganismos que vivem no nosso organismo. Nos humanos, a maior proporção do microbioma total do corpo está no intestino.

Apesar da extensa pesquisa sobre a relação entre o microbioma intestinal e o câncer, o papel das bactérias intestinais na formação do câncer de fígado permanece pouco compreendido.

Para investigar se as bactérias do intestino afetam o desenvolvimento de tumores no fígado, o Dr. Greten e sua equipe realizaram uma série de experimentos com camundongos.

Eles usaram três modelos de camundongos com câncer de fígado e descobriram que quando eles esgotavam as bactérias intestinais usando um "coquetel" antibiótico, os camundongos que tinham usado os antibióticos desenvolveram menos e menores tumores no fígado e reduziram as metástases hepáticas.

O tratamento com antibióticos aumentou o número de um tipo de célula imune chamada células NKT no fígado dos camundongos. Outras experiências mostraram que, em todos os três modelos de cobaias, a redução no crescimento tumoral que resultou do tratamento com antibiótico foi dependente destas células NKT.

Em seguida, observaram que o acúmulo de células NKT no fígado resultou de um aumento na expressão de uma proteína chamada CXCL16 nas células que revestem o interior dos capilares hepáticos.

Os cientistas se perguntaram por que os ratos tratados com antibióticos têm mais produção de CXCL16 nessas células endoteliais e este foi um dos pontos críticos do estudo, pois descobriram que os ácidos biliares podem controlar a expressão de CXCL16. Estudos adicionais mostraram que se camundongos forem tratados com ácidos biliares, eles podem mudar o número de células NKT no fígado e, com isso, o número de tumores deste órgão.

Ácidos biliares são formados no fígado e ajudam a quebrar as gorduras durante a digestão.

Finalmente, os pesquisadores mostraram que uma espécie bacteriana, a Clostridium scindens, controla o metabolismo dos ácidos biliares no intestino dos ratos, e que a expressão de CXCL16 controla o acúmulo de células NKT e o crescimento do tumor no fígado.

Estes resultados têm implicações para a compreensão dos mecanismos que levam ao câncer de fígado e para abordagens terapêuticas para tratá-los.

Leia também: "Papel da inflamação, dos antibióticos e da dieta no microbioma intestinal de crianças com Doença de Crohn".

 

Fonte: National Institutes of Health - News Release, em 24 de maio de 2018

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários