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Uso precoce de ácido tranexâmico pode evitar mortes de mulheres com hemorragia no pós-parto

sexta-feira, 28 de abril de 2017
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Uso precoce de ácido tranexâmico pode evitar mortes de mulheres com hemorragia no pós-parto

A hemorragia pós-parto é a principal causa de morte materna em todo o mundo. A administração precoce de ácido tranexâmico reduz as mortes por sangramento em pacientes com trauma. Neste trabalho, objetivou-se avaliar os efeitos da administração precoce de ácido tranexâmico na mortalidade, na necessidade de realizar uma histerectomia e em outros desfechos relevantes em mulheres com hemorragia no período pós-parto.

Foram recrutadas mulheres com 16 anos ou mais, com diagnóstico clínico de hemorragia pós-parto, após parto vaginal ou cesariana, em 193 hospitais de 21 países. Aleatoriamente, as mulheres foram designadas a receber ou um grama de ácido tranexâmico intravenoso ou um placebo correspondente, além dos cuidados habituais. Se o sangramento continuasse após 30 minutos ou fosse interrompido, mas reiniciado dentro de 24 horas da primeira dose, uma segunda dose de um grama de ácido tranexâmico ou placebo poderia ser administrada.

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As pacientes foram designadas por seleção de um pacote de tratamento numerado, em uma caixa contendo oito embalagens numeradas que eram idênticas. Os participantes, cuidadores e aqueles que avaliaram os resultados foram mascarados à alocação. Inicialmente, planejou-se inscrever 15.000 mulheres com um desfecho primário composto de morte por todas as causas ou histerectomia dentro de 42 dias após o parto.

No entanto, durante o ensaio tornou-se evidente que a decisão de conduzir uma histerectomia era muitas vezes feita ao mesmo tempo que a randomização. Embora o ácido tranexâmico possa influenciar o risco de morte nesses casos, não poderia afetar o risco de histerectomia. Por conseguinte, aumentou-se o tamanho da amostra de 15.000 para 20.000 mulheres, a fim de estimar o efeito do ácido tranexâmico sobre o risco de morte por hemorragia pós-parto. Todas as análises foram feitas numa base de intenção de tratar.

Entre março de 2010 e abril de 2016, 20.060 mulheres foram inscritas e distribuídas aleatoriamente para receber ácido tranexâmico (n=10.051) ou placebo (n=10.009), das quais 10.036 e 9.985, respectivamente, foram incluídas no estudo de análise.

A morte por hemorragia foi significativamente reduzida nas mulheres que receberam ácido tranexâmico, especialmente em mulheres atendidas em até 3 horas após o parto. Todas as outras causas de morte não diferiram significativamente por grupo.

A histerectomia não foi reduzida com o ácido tranexâmico. O desfecho primário composto da morte por todas as causas ou histerectomia não foi reduzido com o ácido tranexâmico. Os eventos adversos (incluindo eventos tromboembólicos) não diferiram significativamente no grupo tratado com ácido tranexâmico versus placebo.

O ácido tranexâmico reduz a morte devido ao sangramento em mulheres com hemorragia pós-parto sem efeitos adversos. Quando utilizado como tratamento para a hemorragia pós-parto, o ácido tranexâmico deve ser administrado o mais rapidamente possível após o início da hemorragia.

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Fonte: The Lancet, publicação online de 26 de abril de 2017

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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