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Anvisa aprova rimegepanto, novo medicamento oral para tratamento e prevenção da enxaqueca

segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Anvisa aprova rimegepanto, novo medicamento oral para tratamento e prevenção da enxaqueca

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Nurtec® ODT, um novo medicamento oral indicado tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção das crises de enxaqueca. A autorização do órgão regulador foi publicada oficialmente no Diário Oficial da União.

A aprovação estipula o uso em pacientes adultos para o tratamento agudo da enxaqueca, com ou sem aura, bem como para o tratamento preventivo da enxaqueca episódica em pessoas que apresentam pelo menos quatro crises por mês.

Produzido pela Pfizer, o medicamento tem como princípio ativo o hemissulfato de rimegepanto sesqui-hidratado e é um antagonista do receptor de CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina). O CGRP é um neuropeptídeo envolvido na transmissão da dor, na vasodilatação e na inflamação neurogênica associadas à enxaqueca. A medicação atua bloqueando o receptor do CGRP, o que ajuda a interromper ou atenuar os mecanismos envolvidos na crise de enxaqueca.

Leia sobre "Enxaqueca" e "Mitos e verdades sobre dor de cabeça".

A neurologista Sara Casagrande, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, explica que o principal diferencial do medicamento é a capacidade de unir o tratamento imediato da crise e a prevenção a longo prazo em uma única terapia por via oral. Ao contrário de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no mercado brasileiro, que são majoritariamente injetáveis, o novo produto é um comprimido orodispersível.

Outra vantagem apontada por especialistas é que o medicamento não provoca vasoconstrição. Esse efeito colateral, associado especialmente aos triptanos, restringe o uso por pacientes que apresentam riscos cardiovasculares. Segundo Casagrande, o novo composto é considerado muito mais específico para a enxaqueca do que os analgésicos comuns, pois foi desenvolvido para agir diretamente no foco do processo inflamatório.

As apresentações comerciais aprovadas pela agência sanitária contam com cartelas de dois, oito e dezesseis comprimidos na dosagem de 75 miligramas. O registro tem validade até maio de 2036.

A eficácia do comprimido orodispersível no tratamento agudo da enxaqueca foi avaliada em um estudo de fase III publicado pela revista científica The Lancet. Na pesquisa com adultos que sofrem da condição, os pacientes receberam uma dose única de 75 miligramas do medicamento ou placebo durante crises de intensidade moderada a grave. Após um período de duas horas, 21% dos participantes tratados com a substância ativa ficaram sem dor, em comparação com apenas 11% dos que receberam o placebo.

Os testes clínicos também comprovaram uma melhora significativa nos sintomas associados que mais incomodam os pacientes, como a náusea e a sensibilidade extrema à luz ou ao som. O alívio desses desconfortos secundários foi registrado em 35% dos casos tratados com o medicamento, contra 27% no grupo que utilizou o placebo. Os eventos adversos mais comuns relatados foram náusea e infecção urinária, ambos em baixa frequência, sem registro de eventos graves relacionados ao medicamento.

A enxaqueca é uma doença neurológica grave, crônica e incapacitante, caracterizada por ataques de dor de cabeça moderada a grave, associados a outros sintomas como náusea, vômito, fotofobia e fonofobia. Os ataques geralmente duram de quatro a 72 horas quando não são tratados ou quando o tratamento não tem sucesso. Em alguns pacientes, a enxaqueca pode ser precedida ou acompanhada por aura, geralmente com sintomas neurológicos transitórios que costumam durar de 5 a 60 minutos.

O rimegepanto faz parte dos chamados gepantes, medicamentos mais recentes desenvolvidos especificamente para a enxaqueca. Segundo a neurologista Sara Casagrande, pacientes brasileiros já importavam o medicamento por conta própria antes da aprovação nacional, e a expectativa entre especialistas era alta havia anos.

Veja também sobre "Enxaqueca hemiplégica", "Fotofobia" e "Orientações para tratamento da cefaleia".

 

Fontes:
Anvisa, comunicado publicado em 25 de maio de 2026.
Conselho Federal de Farmácia, notícia publicada em 25 de maio de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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