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Pesquisadores acrescentam uma peça ao quebra-cabeça de como o trabalho de parto começa

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Pesquisadores acrescentam uma peça ao quebra-cabeça de como o trabalho de parto começa

Cientistas que estudam a gravidez ainda não desvendaram o complexo quebra-cabeça do que determina o início do trabalho de parto, incluindo as causas do trabalho de parto prematuro (parto antes das 37 semanas). No entanto, uma equipe liderada por pesquisadores da Harvard Medical School, do Beth Israel Deaconess Medical Center e do University of Texas Southwestern Medical Center acaba de encaixar mais uma peça nesse cenário.

A equipe relatou na revista Science que o NAD+, uma molécula mais conhecida por seu papel no metabolismo celular e no envelhecimento, ajuda a regular o momento do trabalho de parto.

As descobertas apontam para um possível novo alvo terapêutico para prevenir o parto prematuro, condição que afeta cerca de 1 em cada 10 bebês nascidos nos Estados Unidos e permanece como uma das principais causas de morte infantil e de deficiências a longo prazo.

Trabalhos anteriores da primeira autora Erin Ciampa, professora assistente de anestesiologia da HMS no Beth Israel Deaconess, e de seus colegas mostraram que a placenta apresenta sinais de envelhecimento, incluindo envelhecimento metabólico, ao longo de uma gravidez normal. Além disso, o envelhecimento placentário prematuro tem sido associado ao parto prematuro, afirmou ela.

No novo estudo, “queríamos entender como as alterações metabólicas na placenta relacionadas à idade poderiam influenciar o momento do trabalho de parto”, disse Ciampa.

Queda precoce nos níveis de NAD+ associada ao trabalho de parto prematuro

Ciampa e seus colegas concentraram-se em uma molécula chamada nicotinamida adenina dinucleotídeo, ou NAD+, encontrada em todas as células do corpo e que desempenha um papel central ao ajudar as células a converter nutrientes em energia. A redução dos níveis de NAD+ é considerada uma marca registrada do envelhecimento em muitos órgãos.

Os pesquisadores investigaram se os níveis de NAD+ na placenta diminuem à medida que a gestação avança e se essa queda ajuda a determinar quando o trabalho de parto começa.

Ao examinar tecidos placentários de gestações saudáveis em humanos e camundongos, eles constataram que os níveis de NAD+ realmente diminuíam com o avanço da idade gestacional.

A equipe então manipulou os níveis de NAD+ em camundongos prenhes. A redução do NAD+ placentário desencadeou o trabalho de parto mais cedo, enquanto o aumento do NAD+ prolongou a gravidez e protegeu contra o parto prematuro.

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Experimentos adicionais revelaram o motivo. Os pesquisadores descobriram que o NAD+ atua como um freio bioquímico, suprimindo a atividade de outras substâncias químicas chamadas prostaglandinas, conhecidas por ajudar a iniciar o trabalho de parto. O estudo mostrou que, à medida que os níveis de NAD+ caem, essas prostaglandinas que promovem o parto ficam livres para atuar.

Esse processo parece ajudar a iniciar o trabalho de parto ao final de uma gravidez saudável. No entanto, pesquisadores descobriram, em um modelo com camundongos, que quando os níveis de NAD+ caem prematuramente, o trabalho de parto também começa mais cedo. Ao induzirem experimentalmente uma inflamação – um gatilho bem estabelecido para alguns casos de parto prematuro –, observaram uma queda nos níveis de NAD+ na placenta em questão de horas, seguida pelo início precoce do trabalho de parto. A restauração dos níveis de NAD+ placentários retardou o início do trabalho de parto e protegeu contra o parto prematuro.

Um novo caminho a explorar para otimizar o momento do parto

Em conjunto, essas descobertas oferecem novos esclarecimentos sobre os complexos processos biológicos que regem o momento do parto, reforçando as evidências de que o envelhecimento da placenta – especificamente, seu envelhecimento metabólico – contribui para determinar quando o parto se inicia.

O estudo sugere que o desenvolvimento de intervenções que atuem sobre o NAD+ poderia ajudar a prevenir o parto prematuro ou, inversamente, a induzir o parto quando clinicamente indicado.

“Essas descobertas revelam possíveis vias terapêuticas para o parto prematuro”, escreveram os autores. “Nossos resultados identificam um componente metabólico na fisiologia do parto, destacando ainda mais as demandas metabólicas específicas da gravidez e apontando elementos importantes da biologia do NAD+ na placenta.”

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Nicotinamida adenina dinucleotídeo placentário modula o momento de início do trabalho de parto

O trabalho de parto é mediado, de forma imediata, pela sinalização de prostaglandinas nos tecidos gestacionais e deve ser rigorosamente regulado para que o nascimento ocorra após o desenvolvimento fetal adequado. Alterações metabólicas associadas ao envelhecimento gestacional têm sido apontadas como determinantes do momento do nascimento, mas os nutrientes, sensores e mensageiros específicos envolvidos permanecem desconhecidos.

Neste estudo, relatou-se que o nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+) placentário regula dinamicamente a duração da gestação. A depleção de NAD+ placentário em camundongos desencadeou o trabalho de parto, processo mediado pela função do NAD+ como cofator da 15-hidroxiprostaglandina desidrogenase, uma enzima responsável por suprimir o acúmulo de prostaglandinas. O aumento dos níveis de NAD+ placentário prolongou a gestação, tanto em condições basais quanto em um modelo de parto prematuro.

Esses achados sugerem um papel central do esgotamento metabólico no desencadeamento do trabalho de parto e revelam potenciais vias terapêuticas para o parto prematuro e para a otimização da indução do parto.

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Fontes:
Science, Vol. 392, Nº 6803, em 11 de junho de 2026.
Harvard Medical School, notícia publicada em 10 de agosto de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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