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Aneurismas cerebrais não rompidos são encontrados em 1 a cada 15 adultos saudáveis, mostra estudo

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Aneurismas cerebrais não rompidos são encontrados em 1 a cada 15 adultos saudáveis, mostra estudo

Uma revisão sistemática e metanálise, publicada na revista The Lancet Neurology, mostrou que aneurismas cerebrais não rompidos têm sido identificados com maior frequência nos últimos anos.

Em estudos envolvendo pessoas saudáveis submetidas a angiorressonância ou angiotomografia, a prevalência de aneurisma intracraniano não rompido aumentou de 2,9% para 6,6% ao longo de duas décadas, relataram Nima Etminan, MD, da Universidade de Heidelberg em Mannheim, Alemanha, e seus coautores.

Após o ajuste por idade e sexo, a razão de prevalência foi de 1,8 (IC de 95%: 1,1-2,8) para o período de 2016-2022 em comparação com 2002-2015.

O aumento nos aneurismas não rompidos “é explicado apenas em parte pelo envelhecimento da população e pelos avanços nos exames de imagem vascular, o que sugere que outros fatores de risco ainda desconhecidos (por exemplo, ambientais) também desempenham um papel”, escreveram Etminan e colegas.

Os aneurismas foram mais comuns em mulheres, idosos e pessoas que fumavam ou tinham hipertensão, afirmaram os pesquisadores. Pessoas com doenças do tecido conjuntivo, histórico familiar positivo de hemorragia subaracnoidea aneurismática ou doença renal policística autossômica dominante também apresentaram maior prevalência.

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Aneurismas cerebrais não rompidos são frequentemente achados incidentais em angiorressonâncias ou angiotomografias. A maioria é assintomática, mas alguns se rompem e causam hemorragia subaracnoidea aneurismática, o que pode levar à morte precoce ou a sequelas duradouras.

A incidência geral de hemorragia subaracnoidea aneurismática diminuiu 40% nas últimas três décadas, paralelamente à redução do tabagismo e da hipertensão. Apesar disso, “a proporção de pessoas com aneurisma intracraniano não rompido – atualmente cerca de um em cada 15 adultos saudáveis – está aumentando”, observaram Etminan e seus coautores.

O diagnóstico incidental de um aneurisma cerebral não rompido traz implicações clínicas, observaram o Dr. Shuo Wang, da Capital Medical University em Pequim, e seus coautores em um editorial que acompanhou a publicação do estudo.

“A intervenção profilática cirúrgica ou endovascular pode envolver riscos relacionados ao procedimento, e as complicações cirúrgicas podem resultar em prejuízo clínico líquido no caso de lesões com baixo risco de ruptura”, ressaltaram.

“Com a rápida expansão de exames de imagem de alta resolução e do rastreamento assistido por inteligência artificial, mais aneurismas intracranianos não rompidos serão identificados na prática clínica futura”, previram os autores do editorial.

Este estudo “confirma a hipertensão e o tabagismo como fatores de risco estabelecidos e identifica indivíduos com doenças do tecido conjuntivo como um novo subgrupo de alto risco, complementando subgrupos de alto risco já bem caracterizados, como pacientes com doença renal policística autossômica dominante e pessoas com histórico familiar positivo de hemorragia subaracnoidea aneurismática”, observaram Wang e colegas.

“Em conjunto, esses achados embasam o rastreamento direcionado de pessoas com risco substancialmente elevado de apresentar um aneurisma intracraniano não rompido, em vez do rastreamento não seletivo da população geral”, escreveram.

Etminan e colegas reconheceram que a metanálise se baseou principalmente em coortes selecionadas e estudos transversais, e não em estudos de base populacional não selecionados. “No entanto, nossos dados provenientes de estudos de base populacional ressaltam que a prevalência nessas populações não difere substancialmente dos dados de prevalência observados em coortes mais selecionadas de indivíduos saudáveis”, observaram.

“As prevalências mais elevadas observadas em pacientes com doenças do tecido conjuntivo não podem ser generalizadas para todas as doenças desse tipo, uma vez que agrupamos esses estudos devido à escassez de dados”, acrescentaram.

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Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Prevalência de aneurismas intracranianos não rotos de acordo com comorbidades, fatores de risco, país e período: uma revisão sistemática e metanálise

A incidência de hemorragia subaracnoidea aneurismática diminuiu entre 1980 e 2010, coincidindo com uma redução no tabagismo e na prevalência de hipertensão. O objetivo desse estudo foi investigar se a diminuição na incidência de hemorragia subaracnoidea é acompanhada por reduções na prevalência de aneurismas intracranianos não rotos (AINR).

Para esta revisão sistemática e metanálise, foram pesquisadas as bases de dados Embase, PubMed e Web of Science em busca de artigos publicados em qualquer idioma entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2025, e foram reavaliados 68 artigos publicados antes de 1º de março de 2011, provenientes de uma revisão sistemática e metanálise de 2011. Foram elegíveis para inclusão estudos com desenho transversal ou caso-controle que informassem o número bruto de participantes e número de indivíduos com AINR. Foram incluídos apenas estudos que relatassem números de AINR separadamente de aneurismas rotos e que tivessem dez ou mais pacientes.

Os dados resumidos foram extraídos de forma independente por JD em conjunto com AZ ou CB, e as divergências foram resolvidas por GJER. O desfecho primário foi a proporção de participantes com AINR.

Em relação a uma população de referência hipotética (idade média de 50 anos, 50% mulheres e sem comorbidades), estimaram-se razões de prevalência (RPs) ajustadas por idade e/ou sexo para regiões e comorbidades, bem como razões de risco (RRs) para sexo feminino, tabagismo e hipertensão, utilizando modelos lineares mistos generalizados. Uma análise de tendência temporal foi realizada por meio de metarregressão binomial, utilizando o ano intermediário da coleta de dados. Avaliou-se a certeza da evidência utilizando a metodologia GRADE.

A busca identificou 4.708 estudos. Foram incluídos na metanálise 67 artigos reavaliados e 95 artigos recém-identificados, abrangendo 316.131 participantes e 11.822 pessoas com AINR. Na população de referência, a prevalência estimada de AINR foi de 3,9% (IC 95%: 3,0-5,1).

A prevalência de AINR em indivíduos com aterosclerose foi de 5,5% (4,7-6,4; 2.229 de 40.970 participantes), e a razão de prevalência (RP) ajustada foi de 1,3 (IC 95%: 0,8-2,0) em comparação com a população de referência.

Para histórico familiar positivo de hemorragia subaracnoidea aneurismática ou de AINR, a prevalência de AINR foi de 7,9% (5,6-11,1; 412 de 4.252 participantes), e a RP ajustada foi de 2,4 (0,5-11,2).

Para doença do tecido conjuntivo, a prevalência de AINR foi de 10,3% (6,5-16,0; 94 de 879 participantes), e a RP ajustada foi de 3,9 (2,0-7,6).

Para doença renal policística autossômica dominante, a prevalência de AINR foi de 12,8% (9,2-17,6; 293 de 1.990 participantes), e a RP ajustada foi de 4,4 (1,5-12,6).

As razões de risco (RR) foram:

  • 1,4 (1,2-1,6; 798 de 27.911 participantes) para tabagismo atual;
  • 1,6 (1,5-1,7; 4.043 de 83.053 participantes) para hipertensão;
  • e 1,9 (1,8-2,0; 3.415 de 65.020 mulheres e 2.122 de 76.130 homens) para o sexo feminino.

Em estudos envolvendo indivíduos saudáveis e utilizando angiorressonância ou angiotomografia como modalidade de imagem, a prevalência no período de 2016-2022 foi de 6,6% (6,3-6,8; 2.904 de 41.191 participantes). A RP ajustada foi de 1,8 (1,1-2,8) para o período de 2016-2022 em comparação com 2002-2015.

A prevalência de AINR de 5 mm ou mais foi de 0,7% (0,6-0,8) em 2002-2015 e de 1,4% (1,0-1,9) em 2016-2022. A prevalência de AINR não variou entre os países. O parâmetro τ² indicou heterogeneidade significativa entre os estudos. O grau de certeza das evidências variou de muito baixo a moderado.

O estudo concluiu que a prevalência de AINR está aumentando, particularmente nas últimas duas décadas. Esse aumento é explicado apenas parcialmente pela melhor detecção de AINRs pequenos e pelo envelhecimento da população; fatores adicionais, como os ambientais, provavelmente também estão envolvidos.

Além dos pacientes com doença renal policística autossômica dominante e histórico familiar positivo de hemorragia subaracnoidea aneurismática, pacientes com doenças do tecido conjuntivo apresentaram maior prevalência de AINR do que a população de referência.

Esses achados justificam investigações adicionais sobre os potenciais benefícios de estratégias personalizadas de rastreamento e manejo em grupos de alto risco para a presença de AINR.

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Fontes:
The Lancet Neurology, Vol. 25, Nº 10, em outubro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 03 de setembro de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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