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Obesidade na gravidez: estudo sugere que ganhar menos peso do que as diretrizes recomendam pode ser mais seguro e potencialmente benéfico

terça-feira, 23 de abril de 2024
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Obesidade na gravidez: estudo sugere que ganhar menos peso do que as diretrizes recomendam pode ser mais seguro e potencialmente benéfico

O ganho de peso na gravidez abaixo do mínimo atual recomendado pelo Instituto de Medicina (IOM) dos EUA para pacientes obesas não pareceu aumentar o risco de complicações maternas e fetais e foi associado à redução do risco para pacientes gravemente obesas, de acordo com um grande estudo de base populacional da Suécia, publicado no The Lancet.

Com um índice de massa corporal (IMC) de 30,0 a 39,9, o ganho de peso na gravidez abaixo dos 5 kg (11 lb) recomendados não aumentou significativamente o risco de um composto de resultados adversos, relataram Kari Johansson, PhD, do Instituto Karolinska em Estocolmo, e co-autores.

Para mulheres com obesidade classe 3 (IMC ≥40,0), o ganho de peso abaixo do limite inferior do IOM ou a perda de peso tiveram, na verdade, um risco reduzido de um composto de resultados adversos.

Em última análise, os autores concluíram que um menor ganho de peso na gravidez, ou mesmo perda de peso, era seguro para pacientes obesas.

Leia sobre "Recomendação de ganho de peso durante a gestação", "peso normal de um bebê durante a gestação" e "Obesidade mórbida".

“Nossas descobertas apoiam os apelos para reduzir ou remover o limite inferior das recomendações atuais do IOM para grávidas com obesidade e sugerem que diretrizes separadas para obesidade de classe 3 podem ser justificadas”, concluíram.

O IOM atualmente recomenda que mulheres com obesidade ganhem entre 5 e 9 kg, mas Johansson disse que há “preocupações de que essas recomendações sejam muito altas e que uma única recomendação para todas mulheres com obesidade seja insuficiente”.

A reavaliação destas diretrizes “pode ajudar a reduzir o elevado fardo dos maus resultados de saúde materna e infantil associados à obesidade pré-gravidez”, observou ela. Por exemplo, outros estudos descobriram que o ganho excessivo de peso durante a gravidez estava ligado a uma morte precoce.

No artigo publicado, os pesquisadores relatam que há preocupações de que as atuais recomendações de ganho de peso gestacional para mulheres com obesidade sejam muito altas e que as diretrizes devam diferir com base na gravidade da obesidade.

Neste estudo, portanto, investigou-se a segurança do ganho de peso gestacional abaixo das recomendações atuais ou da perda de peso em gestações com obesidade, e avaliou-se se são necessárias diretrizes separadas para diferentes classes de obesidade.

Neste estudo de coorte de base populacional, foram usados registros médicos eletrônicos do estudo de coorte perinatal de Estocolmo-Gotland para identificar gestações com obesidade (IMC no início da gravidez antes de 14 semanas de gestação ≥30 kg/m²) entre gestações únicas que tiveram parto entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2015. Os registros de gravidez foram vinculados aos dados do registro nacional de saúde sueco até 31 de dezembro de 2019.

O ganho de peso gestacional foi calculado como o último peso medido antes ou no parto menos o peso no início da gravidez (em <14 semanas de gestação) e padronizados para idade gestacional em z-scores. Usou-se a regressão de Poisson para avaliar a associação do z-score do ganho de peso gestacional com um desfecho composto de: natimorto, óbito infantil, grande para a idade gestacional e pequeno para a idade gestacional ao nascer, parto prematuro, cesariana não planejada, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, retenção excessiva de peso pós-parto e doença cardiometabólica materna de longo prazo de início recente após a gravidez, ponderado para levar em conta a gravidade do evento.

Calculou-se razões de taxa (RRs) para o composto de resultados adversos ao longo do continuum do z-score de ganho de peso, em comparação com uma referência do limite inferior atual para ganho de peso gestacional recomendado pelo Instituto de Medicina dos EUA (IOM; 5 kg ao termo). As RRs foram ajustadas para fatores de confusão (idade materna, altura, paridade, IMC no início da gravidez, tabagismo no início da gravidez, doença cardiovascular ou diabetes antes da gravidez, educação, estado de coabitação e país nórdico de nascimento).

A coorte compreendeu 15.760 gestações com obesidade, acompanhadas por uma mediana de 7,9 anos (IQR 5,8-9,4). 11.667 (74,0%) gestações tinham obesidade classe 1, 3.160 (20,1%) tinham obesidade classe 2 e 933 (5,9%) tinham obesidade classe 3. Entre essas gestações, 1.623 (13,9%), 786 (24,9%) e 310 (33,2%), respectivamente, tiveram ganho de peso durante a gravidez abaixo do limite inferior da recomendação do IOM (5 kg).

Em gestações com obesidade classe 1 ou 2, valores de ganho de peso gestacional abaixo do limite inferior da recomendação do IOM ou perda de peso não aumentaram o risco do desfecho composto adverso (por exemplo, no z-score de ganho de peso -2,4, correspondente a 0 kg às 40 semanas: RR ajustada 0,97 [IC 95% 0,89-1,06] na obesidade classe 1 e 0,96 [0,86-1,08] na obesidade classe 2).

Em gestações com obesidade classe 3, valores de ganho de peso abaixo do limite do IOM ou perda de peso foram associados à redução do risco do desfecho composto adverso (por exemplo, RR ajustada 0,81 [0,71-0,89] no z-score de ganho de peso -2,4 ou 0 kg).

Essas descobertas apoiam os apelos para reduzir ou remover o limite inferior das recomendações atuais do IOM para grávidas com obesidade, e sugerem que diretrizes separadas para obesidade de classe 3 podem ser justificadas.

Veja também sobre "Cálculo do IMC", "Tratamento da obesidade" e "Gestação semana a semana".

 

Fontes:
The Lancet, Vol. 403, Nº 10435, em abril de 2024.
MedPage Today, notícia publicada em 01 de abril de 2024.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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