quarta-feira, 26 de outubro de 2005 - Atualizado em segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006

Gripe aviária: países desejam combater o pânico que poderá ser ocasionado pela falta de informação da população

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+1 Recentemente, países participantes de uma conferência que tratou da ameaça de alastramento mundial para humanos do vírus1 da gripe2 aviária decidiram implementar uma série de ações para evitar o pânico e a perturbação social que pode ser causada pela falta de informação. Saiba mais sobre o influenza, confira informações para profissionais da saúde e veja as diferenças entre a gripe2 e o resfriado.
1 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
2 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.

Recentemente, países participantes de uma conferência que tratou da ameaça de alastramento mundial para humanos do vírus1 da gripe2 aviária decidiram implementar uma série de ações para evitar o pânico e a perturbação social causadas pela falta de informação.

Entre os preparativos, devem ser prioridade os planos nacionais de comunicação, o estabelecimento de procedimentos para troca de informações antes e durante uma possível pandemia3, pesquisas sobre a necessidade de abordagens específicas e a criação de uma parceria com a mídia para a divulgação de dados sobre a influenza.

Atualmente, os países lidam com a infecção4 de aves pelo vírus1 H5N1 e 120 casos de pessoas atingidas por ele. O vírus1 tem se mostrado pouco adaptado para invadir o corpo humano5. Mas, precavendo-se de possíveis mutações, a comunidade internacional vem discutindo ações para evitar o que se denomina pandemia3 de gripe2 ou influenza, quando, em larga escala, a população poderia ser afetada.

Influenza, ou gripe2, é uma infecção4 viral aguda do sistema respiratório6, causada pelo vírus1 influenza, de distribuição global e elevada transmissibilidade. A influenza e suas complicações (principalmente as pneumonias) são responsáveis por um volume significativo de internações hospitalares no país. Clinicamente, a doença inicia-se com a instalação abrupta de febre7 alta, em geral acima de 38º, seguida de mialgia8, dor de garganta, prostração, dor de cabeça e tosse seca. A febre7 é o sintoma9 mais importante e dura em torno de três dias. Com a sua progressão, os sintomas10 respiratórios tornam-se mais evidentes e mantém-se em geral por três a quatro dias após o desaparecimento da febre7.

Os vírus1 influenza são compostos de RNA de hélice única, da família dos Ortomixovírus e subdividem-se em três tipos: A, B e C, de acordo com sua diversidade antigênica. Os vírus1 podem sofrer mutações (transformações em sua estrutura). Os tipos A e B causam maior morbidade11 (doença) e mortalidade12 (mortes) que o tipo C. Geralmente as epidemias e pandemias estão associadas ao vírus1 influenza A. As principais características do processo de transmissão da influenza são: alta transmissibilidade, principalmente em relação à influenza A; maior gravidade entre os idosos, as crianças, os imunodeprimidos, os cardiopatas e os pneumopatas; rápida variação antigênica do vírus1 influenza A, o que favorece a rápida reposição do estoque de susceptíveis na população; apresenta-se como zoonose13 entre aves selvagens e domésticas, suínos, focas e eqüinos que, desse modo, também constituem-se em reservatórios dos vírus1. Outras informações podem ser encontradas no Guia de Vigilância Epidemiológica da Influenza/Ministério da Saúde.

É importante destacar que os sintomas10 da Gripe2 muitas vezes se assemelham aos do Resfriado. Este caracteriza-se pela presença de sintomas10 relacionados ao comprometimento das vias aéreas superiores, como congestão nasal, rinorréia, tosse, rouquidão, febre7 variável, mialgia8, cefaléia14. O quadro geralmente é brando, de evolução benigna (2 a 4 dias), mas podem ocorrer complicações como otites15, sinusites e bronquites, e quadros graves , de acordo com o agente etiológico em questão. Tem como principal agente causal os Rhinovírus (mais de 100 sorotipos), embora também seja comumente causado pelo vírus1 Parainfluenza, Coronavírus, Vírus1 Sincicial Respiratório, Adenovírus, Enterovírus.

Há ainda outros agentes infecciosos, que podem causar sintomas10 respiratórios que simulam o quadro de resfriado, como Clamydia pneumoniae e Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus sp. E agravos não infecciosos: uma série de condições apresentam os principais sintomas10 de resfriado (tosse, congestão nasal, rinorréia, rouquidão e dor de garganta), a saber: a rinite16 alérgica (mais comum); a polipose nasal, a rinite16 atrófica, as alterações do septo nasal e a presença de corpo estranho em cavidade nasal.


Plano contra gripe2 aviária prevê a compra de 9 milhões de doses de medicamento

As primeiras medidas do plano para conter a epidemia da influenza (gripe2) serão a compra de 9 milhões de doses do medicamentos Tamiflu, do Laboratório Roche, e o estudo da produção da vacina17 contra o vírus1 da gripe2 aviária (ou gripe2 do frango), H5N1, no Brasil.

Segundo o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, o Brasil se prepara nas áreas de saúde pública e de segurança avícola. "É preciso uma ação conjunta com o Ministério da Agricultura porque, apesar de o Brasil, não importar carne de frango, o vírus1 pode chegar ao país por meio de aves migratórias".

O ministro ressaltou ainda que autoridades sanitárias de todo o mundo se preocupam com a possibilidade de o vírus1 sofrer uma mudança no código genético e passar a ser transmitido de ser humano para ser humano, o que ainda não ocorre.

De 2003 até agora, 117 pessoas morreram por causa do vírus1 da gripe2 aviária, após terem tido contato com aves contaminadas em granjas.

Confira informações sobre a gripe2 divulgadas especificamente para profissionais

Agente Etiológico
O vírus1 da Influenza é da família dos Ortomixovírus e é composto de uma estrutura de RNA de hélice única. Subdivide-se em três tipos: " A" , "B" e "C", segundo sua diversidade antigênica. São altamente contagiosos e mutáveis, sendo o do tipo "A", o mais suscetível à mutabilidade. Os vírus1 do tipo A e B causam maior morbidade11 e mortalidade12 que o tipo "C", e são os de maior destaque para a saúde pública.

Reservatório
Os três tipos de vírus1 acometem humanos. O tipo "C" também infecta suínos e o do tipo "A", além de humanos e suínos, aparece em cavalos, mamíferos marinhos e em aves.

Modo de Transmissão
A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, quando indivíduos infectados emitem pequenas gotas de aerossol ao espirrar, falar ou tossir. Pode também ocorrer transmissão direta a partir de aves e suínos.

Período de Incubação
1 a 4 dias.

Período de Transmissibilidade
Até dois dias antes e até cinco dias após o aparecimento dos sintomas10.

Diagnóstico18 Diferencial
O diagnóstico18 diferencial da influenza inclui uma grande variedade de infecções respiratórias agudas de causas virais. Algumas se destacam, como a provocada pelo Vírus1 Sincicial Respiratório e pelo Adenovírus. O quadro sintomático na influenza é mais intenso que em outras infecções, porém, em muitos casos, o diagnóstico18 diferencial apenas clínico torna-se difícil.

Diagnóstico18 Laboratorial
A coleta, transporte, processamento e armazenamento são fundamentais no diagnóstico18 da infecção4 viral. Duas técnicas são utilizadas para o diagnóstico18 da influenza: a reação de imunofluorescência indireta e cultura para isolamento viral. No caso do vírus1 do tipo "A", é essencial que seja feito uma tipagem completa para que ele seja introduzido na composição anual da vacina17 do hemisfério sul.

A imunofluorescência indireta é realizada em laboratórios estaduais que utilizam um painel que indica a presença da influenza e de outros dois vírus1 respiratórios (vírus1 sincicial respiratório e adenovírus). A cultura é realizada somente para os casos de infecção4 do vírus1 Influenza, em um dos três laboratórios de referência nacional (Instituto Evandro Chagas/ FUNASA, Fiocruz/MS e Instituto Adolfo Lutz/SP), que também fazem a caracterização antigênica inicial, completada nos laboratórios de referência internacional da Organização Mundial de Saúde. As amostras clínicas devem ser coletadas até três dias do início dos sintomas10 para um melhor êxito no diagnóstico18.

Tratamento
No estágio agudo19 da doença, repouso e uma boa hidratação são as principais recomendações. Os medicamentos antipiréticos20 podem ser utilizados, com especial atenção ao Ácido Acetil Salicílico, que não é aconselhável para crianças. Medidas de suporte intensivo serão necessárias em caso de complicações severas nos pulmões21, a fim de evitar possíveis casos de pneumonia22.

Vigilância Epidemiológica
Uma rede de unidades sentinelas, localizadas nas cinco macro-regiões brasileiras, é responsável pela vigilância de casos de infecção4 pelo vírus1 Influenza. Semanalmente, são coletadas amostras clínicas para efetuar exames laboratoriais e informados os atendimentos de Síndrome23 Gripal.

Os casos são separados em três categorias. Casos suspeitos são de pessoas em estágio agudo19 da doença, com duração máxima de cinco dias com febre7 e pelo menos um sintoma9 respiratório, com ou sem outros sintomas10. Confirmados são os identificados por exames laboratoriais. E descartados são os que têm resultado de exame negativo, em amostra colhida e transportada de forma correta ou se identificado laboratorialmente outro agente causador.

Notificação
A notificação da doença não é compulsória. Os dados das unidades sentinelas são informados por meio do Sistema de Informação da Vigilância da Influenza (SIVEP - Gripe2) pela web. No entanto, as suspeitas de surtos deverão ser informadas à Secretaria Estadual de Saúde e à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Fonte: Ministério da Saúde
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NEWS.MED.BR, 2005. Gripe aviária: países desejam combater o pânico que poderá ser ocasionado pela falta de informação da população. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/saude/981/gripe-aviaria-paises-desejam-combater-o-panico-que-podera-ser-ocasionado-pela-falta-de-informacao-da-populacao.htm>. Acesso em: 17 mai. 2012.