quinta-feira, 17 de maio de 2012
sexta-feira, 13 de novembro de 2009 - Atualizado em segunda-feira, 04 de abril de 2011
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Resposta imune a vacinas pode ser reduzida pela administração profilática de paracetamol, segundo artigo publicado no The Lancet

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+1 Embora o uso de paracetamol reduza significativamente as reações febris após vacinação, a administração profilática de antitérmicos1 não deve ser rotineiramente recomendada, pois a resposta de formação de anticorpos2 a vários antígenos vacinais é reduzida com o uso de antitérmicos1 profiláticos.
1 Antitérmicos: Medicamentos que combatem a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
2 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.

Embora o uso de paracetamol reduza significativamente as reações febris após vacinação, a administração profilática de antitérmicos1 não deve ser rotineiramente recomendada, pois a resposta de formação de anticorpos2 a vários antígenos vacinais é reduzida com o uso de antitérmicos1 profiláticos.

Dois estudos consecutivos, randomizados e controlados (com a primeira dose da vacina3 e após a dose de reforço), nos quais participaram 459 crianças saudáveis, foram realizados para estudar o efeito profilático do paracetamol para evitar reações febris em crianças vacinadas e verificar a formação de anticorpos2 frente a diferentes antígenos vacinais.

Neles, 226 crianças receberam 3 doses profiláticas de paracetamol nas primeiras 24 horas após a vacinação e 233 não receberam paracetamol. As vacinas testadas foram vacina3 hexavalente acelular contra pólio, difteria4, tétano5, coqueluche6 (pertussis), hepatite7 B e haemophilus, vacina3 contra pneumococo e vacina3 oral contra rotavírus.

Febre8 acima de 39,5°C foi rara em ambos os grupos. A porcentagem de crianças com temperatura igual ou superior a 38°C foi significativamente menor no grupo que recebeu paracetamol profilático do que no grupo que não recebeu o antitérmico9. A concentração média de anticorpos2 foi significativamente mais baixa no grupo que recebeu paracetamol.  Depois da dose de reforço, a concentração média de anticorpos2 persistiu mais baixa no grupo que recebeu o paracetamol.

Os resultados mostram que embora o uso de paracetamol reduza as reações febris, a administração profilática de antitérmicos1 não deve ser rotineiramente recomendada, pois a resposta de formação de anticorpos2 a vários antígenos vacinais é reduzida com o uso de antitérmicos1 profiláticos.

 

Fonte: The Lancet - Volume 374

NEWS.MED.BR, 2009. Resposta imune a vacinas pode ser reduzida pela administração profilática de paracetamol, segundo artigo publicado no The Lancet. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/pharma-news/51918/resposta-imune-a-vacinas-pode-ser-reduzida-pela-administracao-profilatica-de-paracetamol-segundo-artigo-publicado-no-the-lancet.htm>. Acesso em: 17 mai. 2012.

Complementos

26/11/2009 - Complemento feito por Mukuna
Re: Resposta imune a vacinas pode ser reduzida pela administração profilática de paracetamol, segundo artigo publicado no The Lancet
Para mim nao e devido a antitermicos mas sim uma accao particular do paracetamol devido a grande ocupacao das enzimas plasmaticas. Gostava que se fizesse o mesmo estudo com outros antitermicos no caso de Dipirona e/ou Aspirina.

Glossário

1 Antitérmicos: Medicamentos que combatem a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
2 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
3 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
4 Difteria: Doença infecto-contagiosa que afeta as vias respiratórias superiores, caracterizada pela produção de uma falsa membrana na garganta como resultado da ação de uma toxina bacteriana. Este microorganismo é denominado Corinebacterium difteriae, e é capaz de produzir doença neurológica e cardíaca também.Atualmente, está disponível uma vacina eficiente (a tríplice ou DPT) para esta doença, que tem tornado-se rara.
5 Tétano: Toxinfecção produzida por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Esta, ao infectar uma ferida cutânea, produz uma toxina (tetanospasmina) altamente nociva para o sistema nervoso que produz espasmos e paralisia dos nervos afetados. Pode ser fatal. Existe vacina contra o tétano (antitetânica) que deve ser tomada sempre que acontecer um traumatismo em que se suspeita da contaminação por esta bactéria. Se a contaminação for confirmada, ou se a pessoa nunca recebeu uma dose da vacina anteriormente, pode ser necessário administrar anticorpos exógenos (de soro de cavalo) contra esta toxina.
6 Coqueluche: Infecção bacteriana das vias aéreas caracterizada por tosse repetitiva de som metálico. Pode também ser denominada tosse ferina, tosse convulsa ou tosse comprida, e é produzida por um microorganismo chamado Bordetella pertussis.
7 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
8 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
9 Antitérmico: Medicamento que combate a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
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