quinta-feira, 17 de maio de 2012
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
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Acidente vascular cerebral: quatro artigos de revisão publicados pelo periódico The Lancet

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+1 Em fevereiro de 2012, pesquisadores e clínicos se reunirão em Nova Orleans, EUA, para a International Stroke Conference organizada pela American Stroke Association (ASA), uma divisão da American Heart Association (AHA), para compartilhar os últimos avanços nas pesquisas sobre doenças cerebrovasculares. O objetivo é usar esse conhecimento para orientar as estratégias de prevenção e tratamento, o que depende fundamentalmente de evidências de alta qualidade que possam ser traduzidas na prática clínica e em políticas de saúde. O periódico The Lancet Neurology destaca em quatro artigos de revisão, na edição de janeiro de 2012, a necessidade premente de tal iniciativa. Todos os artigos têm como foco o acidente vascular cerebral1 (AVC) ou derrame2.
1 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
2 Derrame: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.

As principais considerações dos artigos de revisão publicados pelo The Lancet são:

Nutrição1 e AVC

Ao longo das últimas décadas, o aumento global na incidência2 de AVC tem relação com mudanças no estilo de vida, que precisam ser combatidas se quisermos reduzir a ocorrência desta patologia. Evidências ligando aspectos da nutrição1 ao acidente vascular cerebral3 foram objeto de uma revisão abrangente realizada por Graeme Hankey. Existem relações claras entre a má nutrição4 e o aumento no risco de derrame5.

Subnutrição no útero6 materno, má nutrição4 no primeiro ano da vida, na infância e na idade adulta predispõem ao AVC na vida adulta. O mecanismo que explica este maior risco ainda não está claro. A supernutrição também aumenta o risco de derrame5, provavelmente por acelerar o desenvolvimento da obesidade7, hipertensão arterial8, hiperlipidemia9 e diabetes mellitus10.

Evidências confiáveis sugerem que a suplementação dietética com vitaminas antioxidantes, vitaminas do complexo B e cálcio não reduz o risco de AVC. Evidências menos confiáveis sugerem que o AVC pode ser prevenido por dietas como a Dieta Mediterrânea11 ou a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), as quais são pobres em sal e açúcares, ricas em potássio e não excedem calorias12. Ensaios em andamento estão examinando os efeitos da suplementação de vitamina13 D e do ômega-3 sobre a incidência2 de derrame5.

Um exemplo de uma estratégia potencial de prevenção na população em geral é a redução do consumo de sal, o que parece reduzir o número anual de novos casos de AVC. No entanto, evidências mais contundentes são necessárias para entender os efeitos específicos de vários nutrientes, alimentos e padrões dietéticos sobre o risco de AVC, de modo a preparar intervenções apropriadas para a redução do risco da doença.

Risco de AVC em mulheres: o papel da menopausa14 e da terapia hormonal

Lisabeth Lynda Cheryl Bushnell e colaboradores revisaram os efeitos da menopausa14 e da terapia de reposição hormonal sobre o risco de acidente vascular cerebral3.

Embora as mulheres tenham um menor risco de acidente vascular cerebral3 durante a meia idade, quando comparadas aos homens, a menopausa14 é um período em que muitas delas desenvolvem fatores de risco cardiovasculares. Além disso, durante os dez anos após a menopausa14, o risco de AVC praticamente dobra em mulheres. O declínio de cerca de 60% nas concentrações do estrógeno15 endógeno durante este período, levando a um excesso relativo de andrógenos16, poderia contribuir para o aumento dos fatores de risco cardiovasculares. O início mais precoce da menopausa14 pode afetar o risco de derrame5, mas os dados ainda não são claros.

Por causa do risco de AVC associado à terapia hormonal, ela é recomendada apenas para o tratamento de sintomas17 vasomotores e algumas formulações podem ser mais seguras do que outras. Novas pesquisas são necessárias para entender quais as mulheres que estão em maior risco de AVC durante a meia-idade e identificar os hormônios mais seguros, a dose e a duração ideais da terapia hormonal para cada mulher.

Enxaqueca18 e AVC: uma associação complexa, com implicações clínicas

Marie-Germaine Bousser e colegas revisaram a complexa relação entre enxaqueca18, risco de acidente vascular cerebral3 isquêmico e suas implicações diagnósticas e terapêuticas. Como ressaltam os autores, se a enxaqueca18 com aura está relacionada a um aumento no risco de AVC, seu mecanismo fisiopatológico ainda continua a ser estudado e precisa ser determinado.

Enxaqueca18 e AVC são duas doenças comuns com relações neurovasculares heterogêneas e complexas. Os dados não mostram associação entre derrame5 e enxaqueca18 sem aura, de longe o tipo mais comum de enxaqueca18, mas mostram uma duplicação de risco de AVC isquêmico em pessoas que têm enxaqueca18 com aura. A aura pode ser desencadeada por vários fatores, incluindo doenças específicas que podem, por si só, aumentar o risco de AVC isquêmico.

Complicações da hemorragia19 intracerebral

Joyce Balami e Alastair Buchan avaliaram as abordagens de gestão na revisão que fizeram sobre a hemorragia19 intracerebral, o tipo mais grave de AVC. As estratégias basicamente procuram minimizar os danos do AVC e evitar as complicações, como pressão intracraniana elevada, convulsões e infecções. Em contraste com os avanços no tratamento do AVC isquêmico, muitos dos procedimentos ou estratégias de tratamento para o AVC hemorrágico ainda não foram testados em ensaios clínicos randomizados e evidências mais robustas são necessárias para fundamentar recomendações mais confiáveis.

 

Estes artigos de revisão publicados pelo The Lancet apontam tanto avanços no estudo do AVC quanto a necessidade de evidências mais fortes a serem alcançadas através de investigações epidemiológicas e ensaios clínicos sobre intervenções terapêuticas.

NEWS.MED.BR, 2011. Acidente vascular cerebral: quatro artigos de revisão publicados pelo periódico The Lancet. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/medical-journal/251790/acidente-vascular-cerebral-quatro-artigos-de-revisao-publicados-pelo-periodico-the-lancet.htm>. Acesso em: 17 mai. 2012.

Complementos

21/12/2011 - Complemento feito por marcos
Re: Acidente vascular cerebral: quatro artigos de revisão publicados pelo periódico The Lancet
Os AVCs constituem uma classe de eventos extremamente importantes do ponto de vista epidemiologico devido a taxas elevadas de mortalidade e morbidade, pois se não tratados a tempo e de forma eficiente, poderão trazer sequelas, principalmente neurológicas incapacitantes.

Uma das formas de prevenção que se mostra eficaz, é o controle adequado da pressão arterial, bem como intervenções terapêuticas rápidas em pacientes em crises hipertensivas, fato nem sempre observado, sendo extremamente importante a educação em saúde atuando no auxílio de identificação de sintomas , quando estes aparecem, para uma rápida intervenção a fim de evitar os AVCs propriamente ditos.

Um programa pessoal, que envolva, o adequado uso de anti hipertensivos, antilipêmicos e outros medicamentos que atuam no sistema cardiovascular, controle constante dos níveis pressóricos, dieta adequada, restrita de sal e gorduras e exercícios físicos de acordo com seu médico , é fundamental para evitar se tornar um paciente das emergências de nossos hospitais abarrotados, onde o atendimento pode deixar a desejar e trazer consequências imprevisíveis.

Glossário

1 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
4 Má nutrição: Qualquer transtorno da alimentação tanto por excesso quanto por falta da mesma.A qualidade dos alimentos deve ser balanceada de acordo com as necessidades fisiológicas de cada um.
5 Derrame: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
6 Útero:

Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.

7 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
8 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
9 Hiperlipidemia: Condição em que os níveis de gorduras e colesterol estão mais altos que o normal.
10 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
11 Dieta Mediterrânea: Alimentação rica em carboidratos, fibras, elevado consumo de verduras, legumes e frutas (frescas e secas) e pobre em ácidos graxos saturados. É recomendada uma ingestão maior de gordura monoinsaturada em decorrência da grande utilização do azeite de oliva. Além de vinho.
12 Calorias: Dizemos que um alimento tem "x" calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
13 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
14 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
15 Estrógeno: Grupo hormonal produzido principalmente pelos ovários e responsáveis por numerosas ações no organismo feminino (indução da primeira fase do ciclo menstrual, desenvolvimento dos ductos mamários, distribuição corporal do tecido adiposo em um padrão feminino, etc.).
16 Andrógenos: Termo genérico para qualquer composto natural ou sintético, geralmente um hormônio esteróide, que estimula ou controla o desenvolvimento e manutenção das características masculinas em vertebrados ao ligar-se a receptores andrógenos. Isso inclui a atividade dos órgãos sexuais masculinos acessórios e o desenvolvimento de características sexuais secundárias masculinas. Também são os esteróides anabólicos originais. São precursores de todos os estrógenos, os hormônios sexuais femininos. São exemplos de andrógenos: testosterona, dehidroepiandrosterona (DHEA), androstenediona (Andro), androstenediol, androsterona e dihidrotestosterona (DHT).
17 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
18 Enxaqueca: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino.
Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
19 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
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