Medical Journal - terça-feira, 12 de janeiro de 2010 - Atualizado em sexta-feira, 26 de agosto de 2011
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Cesareana só reduz o risco de complicações para a mãe e para o bebê quando existem indicações médicas, segundo pesquisa da OMS publicada no The Lancet

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Artigo publicado no periódico The Lancet sobre uma pesquisa global da OMS mostrou que, apesar dos avanços na medicina e do melhor acesso a cuidados obstétricos no mundo, os partos cirúrgicos ainda são mais arriscados para a mãe e para o bebê do que o parto vaginal espontâneo.  O objetivo da pesquisa foi estimar as diferenças entre os métodos de parto e examinar a relação entre o método usado e os resultados maternos e perinatais.

O estudo envolveu a análise de 107.950 partos. Em nove países estudados (Camboja, China, Índia, Japão, Nepal, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã) o índice de cesareana foi de 27,3% e na China este índice chegou a 46,2%. Com este procedimento cirúrgico, aumentam os riscos de morte materna, morte do recém-nascido, admissão em unidade de terapia intensiva1 (UTI), transfusão2 sanguínea, histerectomia3 ou ligação de artéria4 ilíaca interna (para conter hemorragias5 pélvicas), comparado ao parto vaginal espontâneo. A despeito destes riscos, nenhuma mãe ou bebê morreu depois deste procedimento antes da alta hospitalar.

Estas informações ainda não foram absorvidas pela cultura popular ou mesmo entre os médicos, e os índices de cesareana alcançam, em alguns países, proporções epidêmicas. A China tem os maiores índices de cesareana sem indicação médica (11,7%). Nos demais locais estudados esta taxa é de 1,9%.

A maioria das cesareanas (15,8% dos nascimentos) são realizadas após o início do trabalho de parto, ao invés de antes dele começar. Este procedimento tardio – eletivos (0,5%) e com indicação médica (15,3%) - aumenta os riscos de efeitos adversos, de acordo com os autores.

Segundo Yap-Seng Chong, da National University of Medicine, em Singapura, os resultados devem servir para priorizar estratégias que reduzam intervenções desnecessárias nos nascimentos, indicar corretamente as cesareanas e esclarecer ainda mais sobre os possíveis danos que uma cesárea pode causar.

O tipo mais perigoso de parto foi o parto vaginal com uso de fórceps ou vácuo, mas também foi o mais raro, pois apenas 3,2% dos nascimentos ocorreram por este tipo de intervenção.

As cesareanas só reduzem o risco de complicações para a mãe e para o bebê quando existem indicações médicas como, por exemplo, cesareanas prévias, desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior que os diâmetros da pelve materna) e sofrimento fetal.

Fonte consultada:
The Lancet

NEWS.MED.BR, 2010. Cesareana só reduz o risco de complicações para a mãe e para o bebê quando existem indicações médicas, segundo pesquisa da OMS publicada no The Lancet. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/medical-journal/53745/cesareana+so+reduz+o+risco+de+compl.htm>. Acesso em: 4 fev. 2012.